A decadência do Governo do Rio de Janeiro tem quase a idade de Flávio Bolsonaro ou por aí, 45 anos. "Governo", aqui, inclui Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas o comando do Estado vive outra onda aguda de caos e corrupção desde a chegada do bolsonarismo ao poder, em 2018, com a eleição do depois impichado Wilson Witzel, que legou ao monturo da política o seu vice, Claudio Castro, reeleito em 2022. O PL, dos Bolsonaro, e comparsas dominam a política local.

Além disso, a ficha corrida dos Bolsonaro tem paralelos com a governança local: associação com milícias, rachadinha de fundos públicos, funcionários fantasmas, nomeação de perversos e lunáticos para altos cargos, tolerância com o terror do Estado (como o das polícias) etc. Se Flávio Bolsonaro for eleito, o Brasil corre o risco de se tornar um grande Governo do Rio de Janeiro.

Nem de longe o Estado do Rio é o único corrupto ou associado ao crime, de administração podre ou finanças arruinadas, de Assembleia Legislativa repulsiva ou com desembargadores negociantes de sentenças. Em São Paulo, o PCC começa a tomar conta de cidades menores, entre outras infiltrações executivas e legislativas. Mas é o Governo do Rio de Janeiro que tira 10 nos quesitos principais: inépcia gerencial, canalhice de governantes, corrupção sistemática, bancarrota e associação regular ao crime organizado.