Duplicatas, muito usadas para antecipação de recebíveis de vendas a prazo, movimentam atualmente cerca de R$ 10 trilhões por ano Foto: Fabio Motta/Estadão As registradoras Quick Soft e SPC Grafeno iniciaram, nesta semana, o segundo ciclo de testes da duplicata escritural, a versão digital do título de crédito que representa vendas a prazo. As duas empresas seguirão as mesmas etapas conduzidas por B3, Núclea e Cerc, em um processo que ficou marcado por sucessivos atrasos e impasses entre os participantes. PUBLICIDADEAo longo das próximas semanas, Quick Soft e SPC Grafeno conduzirão os testes individualmente, antes de testar conjuntamente as conexões entre os sistemas em um segundo momento. O objetivo é garantir uma estrutura interoperável, que conceda a todos os elos da cadeia o acesso às informações de forma padronizada, segura e automática. Pela experiência do primeiro ciclo, a nova fase será a mais desafiadora no processo de preparação para a duplicata eletrônica. Segundo pessoas que acompanharam os procedimentos, o cronograma originalmente previsto pelos reguladores, de 60 dias para os testes, se mostrou insuficiente diante da complexidade da operação.Pelo menos 20 cenários do plano de testes tiveram que ser ajustados por conta de inconsistências técnicas. As mudanças demandavam aprovação do Banco Central, o que acabou atrasando a publicação do relatório final de certificação da auditora que acompanhou as verificações, a Grant Thornton. PublicidadeO documento foi entregue na semana passada, segundo fontes. “Com isso, todo o trabalho demorou mais de 60 anos. Até porque o objetivo não era fazer com pressa, mas com a maior segurança possível”, afirmou à Broadcast o superintendente executivo de produtos da Núclea, Rafael Pedrao Dal Mas. Para além das questões técnicas, porém, houve uma série de divergências entre as próprias registradoras. A SPC Grafeno chegou a participar da primeira rodada, mas foi afastada desse primeiro ciclo após a auditora identificar uma falha em um dos exercícios que descumpria os requisitos estabelecidos na regra da convenção. A empresa tentou argumentar que a desclassificação seria injusta, mas em uma votação acirrada, as registradoras signatárias votaram por manter a suspensão. Na sequência, em março, as empresas que continuaram nos testes identificaram que seria necessário mais tempo para concluir a etapa. O tema foi submetido à deliberação do comitê das signatárias da convenção da duplicata, composto pelas instituições que originalmente declararam intenção de se tornar escrituradoras. O grupo, então, aprovou a proposta, em mais uma votação que expôs divisões, de acordo com fontes. Contrário à prorrogação, o CEO da Quick Soft, Lucas Fiuza, avalia que o caso abriu margem para uma vantagem competitiva para parte das registradoras, que poderão avançar mais rapidamente para a próxima fase. “Acho que criou-se uma dinâmica competitiva que não é saudável”, opinou.ObrigatoriedadePublicidadeAgora, B3, Cerc e Núclea aguardam a autorização do Banco Central para atuar como entidades escrituradoras. O aval é condição para o início do próximo estágio, em que o novo balcão será implementado de forma controlada com um grupo seleto de clientes. PUBLICIDADEPelo cronograma do BC, esse procedimento deve durar seis meses. A adoção obrigatória será instituída gradualmente a partir de 2027 e deve se estender até meados de 2028. Inicialmente, os bancos terão que registrar as duplicatas no modelo escritural para as grandes empresas e, aos poucos, a exigência será estendida para incluir as operações com companhias menores. A duplicata é muito usada por empresas para antecipação de recebíveis de vendas a prazo. Atualmente, pelo modelo mercantil, o instrumento movimento cerca de R$ 10 trilhões anualmente, conforme estimativas da indústria. A maior parte das operações, no entanto, são de vencimento curto e ticket médio baixo. A expectativa é de que o novo balcão ajude a destravar o mercado.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 14/05/2026, às 08:35PublicidadeA Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.
Duplicata escritural avança para 2° ciclo de testes, após ruídos entre registradoras
Os bancos terão que registrar as duplicatas no modelo escritural para as grandes empresas e, aos poucos, a exigência será estendida para incluir companhias menores














