Defesa de ex-sócio do Master afirma que 'não há fundamento' nas conclusões da PF 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Augusto Lima: relatório da PF descreve ação de ex-sócio do Master — Foto: Reprodução Relatórios da Polícia Federal (PF) apontam ‘participação dolosa’ e manifesta autoridade de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, nas operações fraudulentas entre a instituição e o BRB que ocorreram entre 2024 e 2025. O documento ficou público com a retirada do sigilo de parte das investigações do caso Master, após determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, a André Mendonça, relator dos inquéritos. Em nota, a defesa de Augusto Lima rechaçou as informações e destacou que ele deixou a sociedade e a direção do Banco Master em 28 de maio de 2024. “A defesa reafirma que não há fundamento para atribuir a Augusto Lima os ilícitos mencionados e confia que a investigação será conduzida de forma técnica, isenta e com absoluto respeito aos fatos e ao devido processo legal, tendo a certeza de que a inocência ficará comprovada.” Lima é um empresário baiano, dono do Credcesta, um cartão de benefícios voltado a servidores públicos municipais e estaduais, que começou na Bahia, mas depois se expandiu por todo país em parceria com o Master. Após deixar a sociedade do Master, Lima passou a controlar o Banco Pleno, cujas operações já foram encerradas pelo Banco Central, assim como aconteceu com o Master. Ele foi preso preventivamente na primeira fase da Compliance Zero, mas solto logo depois e, em junho, foi alvo de busca e apreensão da nona fase da operação. O relatório mostra diálogos entre Daniel Vorcaro, dono do Master, com Lima cobrando documentos relativos à cessão de carteiras do banco para o BRB, inclusive os referentes ao contrato de parceria com a Tirreno, empresa que foi apontada como originadora dos créditos transferidos do Master ao BRB e que, segundo a investigação, foi criada para tentar escamotear a fraude na operação. “Além de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima participou diretamente da supervisão dos documentos relacionados à cessão de créditos Tirreno-Master-BRB. Tal participação de Augusto Lima não condiz com as versões apresentadas pelo Banco Master e pelo BRB ao Banco Central para a origem dos créditos investigados, que não explicitam haver qualquer envolvimento de sua parte nos eventos investigados.” Em uma das conversas que constam do relatório da PF, Lima encaminha uma tabela contendo crédito cedido ao BRB, cujo lastro, segundo as autoridades policiais, se revela compatível com a fraude atribuída à Tirreno, calculada em R$ 12,2 bilhões. “O valor presente do somatório de todas as tranches listadas, firmadas entre 26/12/2024 e 05/05/2025, alcança aproximadamente R$ 12 bilhões, coincidindo com o montante total da operação”, diz a PF. Quando começaram a vir a público inconsistências na carteira, com servidores públicos reclamando que foram surpreendidos com dívidas no BRB que nunca contrataram, Lima também tratou com Vorcaro sobre o encaminhamento do assunto. Outro trecho da investigação mostra o passo a passo realizado por funcionários do Master, com orientação de Vorcaro e Lima, para geração massiva de documentos falsos, desde a seleção de CPFs à falsificação de procurações das pessoas que teriam contratado empréstimos que depois seriam cedidos ao BRB. Os policiais também apontam no relatório que, quando o Banco de Brasília começou a substituição da operação fraudulenta por outros ativos, após cobranças do Banco Central devido à falta de lastro, Lima deu ordens a um funcionário do Master para que não fossem enviadas as amostras das carteiras. O funcionário em questão, inclusive, deixou de cumprir imediatamente uma ordem de Vorcaro sobre o assunto, mencionando que antes teria que falar com o empresário baiano, o que, para a PF, mostra a “manifesta autoridade” do empresário baiano sobre as atividade do Master e da Tirreno. “Ou seja, ainda em 26/06/2025, sobretudo em relação à substituição das carteiras cedidas pelo Banco Master por outros ativos, Augusto Lima possuía grau elevado de ingerência nas atividades do Banco Master, incluindo autoridade suficiente para que suas determinações tenham força para se opor as de Vorcaro”, concluiu a PF. Trechos extraídos de conversas por Whatsapp ainda mostram um diálogo com um tesoureiro do Master que informa que uma equipe do BRB iria ao banco “para ver a conciliação dos financeiros para tentar apurar as diferenças”, ao que Lima responde: “Venha aqui para alinhar”. A PF diz que a Credcesta estaria envolvida ‘mais diretamente e centralmente” na originação de ao menos parte dos créditos dos Certificados de Crédito Bancário (CCB) cedidos ao BRB. E por isso Lima teria interesse em evitar que relativa a eventuais irregularidades recaísse sobre o cartão consignado. A PF também aponta indícios de pagamentos do Master à empresa Terra Firma da Bahia, do grupo de Lima, conforme notas de prestação de serviços ao banco. As notas fiscais são de julho de 2024, no valor R$ 3,6 milhões, de abril de 2025, no valor de R$ 3,3 milhões, e de maio de 2025, no valor de 3,6 milhões. Confira a nota da defesa de Augusto Lima na íntegra "A defesa de Augusto Lima rechaça de forma veemente as informações e insinuações mencionadas, que reproduzem alegações formuladas no início da investigação e que, passados 10 meses de apuração, não se sustentam diante dos próprios elementos já reunidos. Augusto Lima jamais tratou com qualquer representante do BRB sobre supostas carteiras falsas e não participou das negociações, nem nunca participou de reunião sobre o assunto. Não assinou documentos de cessão de carteiras ao BRB nem prestou informações falsas ao Banco Central. Tampouco manteve tratativas com órgãos de fiscalização sobre esses fatos ou foi responsável pela contabilidade do Banco Master. A própria investigação da Polícia Federal já afastou, em relatório, a alegação envolvendo as associações. Quanto às transferências mencionadas pela reportagem, havia contrato regular de prestação de serviços, e os serviços contratados foram efetivamente prestados. Insinuar, apenas em razão dos valores envolvidos, que esses pagamentos representariam desvio de recursos em favor de Augusto Lima é uma ilação grave e sem respaldo nos fatos. Há ainda uma questão cronológica objetiva: Augusto Lima deixou a sociedade e a direção do Banco Master em 28 de maio de 2024, conforme documentação do próprio Banco Central. A operação policial ocorreu somente em 18 de novembro de 2025, um ano e seis meses depois de seu desligamento. Desde o início das apurações, Augusto Lima permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Após 10 meses de investigação, a defesa considera inadmissível que acusações antigas sejam novamente apresentadas como novidade, ignorando elementos já reconhecidos pela própria apuração da PF. A defesa reafirma que não há fundamento para atribuir a Augusto Lima os ilícitos mencionados e confia que a investigação será conduzida de forma técnica, isenta e com absoluto respeito aos fatos e ao devido processo legal, tendo a certeza de que a inocência ficará comprovada".