Augusto Lima rechaça suspeitas e nega ter participado de reuniões relacionadas ao Banco de Brasília 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Augusto Lima, controlador do Banco Pleno, liquidado pelo BC — Foto: Reprodução/O Globo A Polícia Federal (PF) afirmou que Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, tinha, em junho de 2025, “grau elevado de ingerência” no banco sobre a substituição das carteiras de crédito cedidas ao Banco de Brasília (BRB). Segundo os investigadores, uma orientação de Lima chegou a se sobrepor a uma ordem de Vorcaro. Procurada, a defesa de Lima rechaçou as informações. O episódio ocorreu em 25 e 26 de junho. De acordo com a PF, um dia antes de o BRB encaminhar ao Banco Central informações sobre a substituição das carteiras do Master por outros ativos, Lima, “já atuando diretamente no processo de substituições”, determinou que o backoffice não enviasse uma amostra das carteiras que seriam trocadas. No dia seguinte, Vorcaro deu uma orientação que contrariava a determinação. Alberto Félix, então superintendente de Tesouraria do Master, não cumpriu a ordem imediatamente e afirmou que precisava falar antes com Augusto. Para a PF, a sequência mostra que Lima tinha autoridade suficiente para interferir no processo. O relatório afirma que suas determinações tinham força para “se opor as [sic] de VORCARO” perante Félix. A atuação atribuída a Lima aparece também na preparação da documentação das operações. Em outro trecho, a PF afirma que ele “supervisionou a confecção e envio de documentos envolvendo a cessão de créditos originadas [sic] pela TIRRENO”, empresa apresentada como originadora dos créditos cedidos pelo Master ao BRB. Em 5 de maio de 2025, Vorcaro cobrou de Augusto Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) e contratos da Tirreno. O relatório diz que o contrato da empresa ainda não havia aparecido. Lima respondeu que os documentos estavam com Félix. Vorcaro voltou à cobrança pouco depois. “so [sic] vai acontecer se mandarmos ccbs e contratos tirreno”, escreveu. Em seguida, afirmou que “ate [sic] agora nao [sic] mandamos NADA”. Lima disse que estava acompanhando o assunto. Três dias depois, Lima encaminhou uma tabela com créditos que a PF considera provavelmente relacionados às carteiras cedidas ao BRB. O valor presente das tranches listadas, firmadas entre dezembro de 2024 e maio de 2025, somava aproximadamente R$ 12 bilhões. A PF também aponta que parte da documentação foi formalizada apenas depois de cobranças sobre pendências. Em 12 de maio, Vorcaro enviou a Lima uma relação que incluía a falta de reconhecimento em cartório dos contratos da Tirreno e de associações envolvidas na operação. Segundo os investigadores, documentos de cessão foram autenticados nos dias 13 e 14. Para a PF, a cronologia reforça os indícios de produção de documentação “sob demanda”. O relatório afirma ainda que documentos ligados à cessão de créditos da Tirreno ao Master teriam sido assinados e, em alguns casos, produzidos apenas em maio de 2025, apesar de trazerem datas de celebração anteriores. Outra análise feita a partir do celular de Lima mostra que ele recebia de Félix informações recorrentes sobre as operações com o BRB. Entre outubro de 2024 e janeiro de 2025, o executivo enviou cinco arquivos intitulados “operações_BRB”. Nos meses seguintes, os dois discutiram liquidações, repasses e conciliações financeiras com o banco público. Em 26 de março, Félix informou que o BRB tentaria liquidar R$ 470 milhões no dia seguinte. Em abril, disse a Augusto que o banco público havia comprado R$ 750 milhões em carteira e que tinham sido feitos R$ 600 milhões em repasses. Em 9 de maio, Félix afirmou que os dois precisavam conversar sobre as operações da Tirreno. Lima respondeu que estava chegando e, em seguida, ligou para o executivo. Na conclusão dessa análise, a PF afirma que ambos estavam “envolvidos com as tratativas entre o Banco Master e o BRB” e tinham conhecimento das operações com a Tirreno. Procurada a defesa de Augusto Lima “rechaça de forma veemente as informações e insinuações mencionadas, que reproduzem alegações formuladas no início da investigação e que, passados 10 meses de apuração, não se sustentam diante dos próprios elementos já reunidos”. Frisou que Lima jamais “tratou com qualquer representante do BRB sobre supostas carteiras falsas e não participou das negociações, nem nunca participou de reunião sobre o assunto. Não assinou documentos de cessão de carteiras ao BRB nem prestou informações falsas ao Banco Central. Tampouco manteve tratativas com órgãos de fiscalização sobre esses fatos ou foi responsável pela contabilidade do Banco Master”. Abaixo, a nota da defesa na íntegra: A defesa de Augusto Lima rechaça de forma veemente as informações e insinuações mencionadas, que reproduzem alegações formuladas no início da investigação e que, passados 10 meses de apuração, não se sustentam diante dos próprios elementos já reunidos. Augusto Lima jamais tratou com qualquer representante do BRB sobre supostas carteiras falsas e não participou das negociações, nem nunca participou de reunião sobre o assunto. Não assinou documentos de cessão de carteiras ao BRB nem prestou informações falsas ao Banco Central. Tampouco manteve tratativas com órgãos de fiscalização sobre esses fatos ou foi responsável pela contabilidade do Banco Master. A própria investigação da Polícia Federal já afastou, em relatório, a alegação envolvendo as associações. Quanto às transferências mencionadas pela reportagem, havia contrato regular de prestação de serviços, e os serviços contratados foram efetivamente prestados. Insinuar, apenas em razão dos valores envolvidos, que esses pagamentos representariam desvio de recursos em favor de Augusto Lima é uma ilação grave e sem respaldo nos fatos. Há ainda uma questão cronológica objetiva: Augusto Lima deixou a sociedade e a direção do Banco Master em 28 de maio de 2024, conforme documentação do próprio Banco Central. A operação policial ocorreu somente em 18 de novembro de 2025, um ano e seis meses depois de seu desligamento. Desde o início das apurações, Augusto Lima permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Após 10 meses de investigação, a defesa considera inadmissível que acusações antigas sejam novamente apresentadas como novidade, ignorando elementos já reconhecidos pela própria apuração da PF. A defesa reafirma que não há fundamento para atribuir a Augusto Lima os ilícitos mencionados e confia que a investigação será conduzida de forma técnica, isenta e com absoluto respeito aos fatos e ao devido processo legal, tendo a certeza de que a inocência ficará comprovada.