Fundo Fake investigou suspeitas de fraudes envolvendo aplicações de Regimes Próprios de Previdência Social de municípios 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fachada da sede do Banco Master, em São Paulo — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg A Polícia Federal buscou provas reunidas na Operação Fundo Fake logo na abertura do inquérito que passou a investigar operações financeiras envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e Benjamim Botelho, proprietário da antiga Foco Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, posteriormente Sefer, que acabou sendo liquidada Banco Central. A determinação consta de portaria assinada em 26 de maio de 2025 pelo delegado Daniel Penido de Britto. A medida foi tomada depois que a PF recebeu, por e-mail, uma denúncia anônima acompanhada de um arquivo em PDF intitulado “Informações Banco Master”. O material relatava operações envolvendo o Master, Vorcaro e Botelho e também reconstruía negócios anteriores à aquisição do banco, incluindo a captação de recursos de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) por meio de fundos administrados pela então Foco. Por ser uma denúncia anônima, a PF determinou uma verificação preliminar para buscar sustentação, mostram os documentos. Segundo uma das portarias, os fatos apresentados foram “preliminarmente confirmados por meio da análise documental, cruzamento de dados e verificação de fontes externas”. A análise, segundo a PF, revelou elementos que indicariam a existência de uma “rede complexa e articulada de relações empresariais e financeiras” e indícios mínimos que, na avaliação dos investigadores, justificavam a abertura do inquérito. Foi nesse momento que a PF decidiu recorrer ao material da Operação Fundo Fake. A portaria determinou que fosse oficiada a autoridade responsável pela investigação para compartilhar “os elementos de prova colhidos no interesse da referida investigação”, especialmente aqueles relacionados ao Banco Master, à Foco e a uma extensa relação de fundos, securitizadoras e outras empresas. A orientação era para que a solicitação fosse mantida sob sigilo. O delegado determinou expressamente que o pedido “não deve ser referenciado nos autos daquela investigação”. Deflagrada em julho de 2020, a Operação Fundo Fake investigou suspeitas de fraudes envolvendo aplicações de Regimes Próprios de Previdência Social de municípios. A apuração teve origem em investimentos do instituto de previdência de Rolim de Moura, em Rondônia, e avançou sobre outros municípios. À época, a PF informou que cerca de R$ 500 milhões de recursos de RPPS haviam sido aportados nos fundos sob investigação.Entre os nomes sobre os quais a PF buscou provas produzidas na Fundo Fake estavam, além do Master e da Foco, Brazil Realty FII, Centara Investimentos, São Domingos FII, BR Hotéis FII, Monte Carlo FI, Brazilian Graveyard and Death Care Services FII, Mérito Desenvolvimento Imobiliário FII, Entre Investimentos e Participações, Master Holdings, Leads Cia. Securitizadora, ConfiAnza Securitizadora, Lever Securitizadora, Base Securitizadora, Reag Securities e LA Shopping Centers, entre outros. A solicitação à Fundo Fake foi uma das providências determinadas na própria portaria de instauração do inquérito policial. Na mesma peça, o delegado pediu autorização judicial para solicitar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) das pessoas relacionadas na Informação de Polícia Judiciária nº 90/2025. Segundo a portaria, a apuração abrangia inicialmente “diversas operações financeiras que envolvem o Banco Master (anteriormente Banco Máxima), seu proprietário Daniel Vorcaro, e Benjamim Botelho, proprietário da FOCO (atualmente SEFER)”. As informações preliminares apontavam, segundo a PF, “uma série de transações complexas e potencialmente ilícitas que merecem uma investigação aprofundada”. O inquérito foi instaurado para apurar, em tese, possíveis crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, organização criminosa e manipulação do mercado de valores mobiliários.