Ex-CEO Paulo Henrique Costa é o único que está preso, suspeito de receber propina por meio de imóveis para atuar em favor do Master dentro do banco distrital 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Além do ex-CEO Paulo Henrique Costa, a investigação da Polícia Federal (PF) identificou outros nomes da cúpula do Banco de Brasília (BRB) que teriam cometido gestão fraudulenta em operações relacionadas à compra de carteiras do Master. Costa é o único que está preso, suspeito de receber propina por meio de imóveis para atuar em favor do Master dentro do banco distrital. O possível envolvimento de outros diretores não é novidade. O Valor mostrou, em agosto, que a PF havia identificado novos suspeitos no BRB e pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 60 dias para as investigações. O próprio BRB, em assembleia realizada também em agosto, aprovou o acionamento da Justiça contra ex-administradores suspeitos de operações irregulares com o Master e a Reag, sem revelar os nomes. Segundo o banco informou à época, a medida busca defender os interesses dos acionistas, “visando eventual ressarcimento de danos ao patrimônio da instituição”. Com a retirada do sigilo de parte das investigações sobre o Master, um laudo da PF mostra quem são os suspeitos, além de Costa: Cristiane Maria Lima Bukowitz, diretora executiva de gestão de pessoas do BRB; Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor executivo de finanças e controladoria; Luana de Andrade Ribeiro, diretora executiva de controle e riscos; Diogo Ilário de Araújo Oliveira, diretor executivo de atacado e governo; José Maria Correa Dias Junior, diretor executivo de tecnologia; e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, diretor jurídico. A maioria deles tinha direito a voto nas deliberações que levaram à compra das carteiras do Master e aprovou o negócio. A exceção foi Melo, que, como diretor jurídico, participava das reuniões para fazer os registros das atas. Júnior, assim que a Operação Compliance Zero foi deflagrada, foi afastado do cargo, assim como Costa. “No plano da participação individual, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, Cristiane Maria Lima Bukowitz, Dario Oswaldo Garcia Júnior, Luana de Andrade Ribeiro, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior estão documentalmente vinculados, nos limites de sua presença e direito de voto, às deliberações unânimes que mantiveram a estratégia nos quatro recortes examinados: insuficiência instrutória, racionamento de alçadas, decisões posteriores aos alertas de liquidez e decisões posteriores aos relatórios do GT (grupo de trabalho)”, diz o laudo. “Não foram registrados votos contrários ou abstenções. Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo não pode ser individualizado como aprovador, pois as atas o registram sem direito a voto ou ausente”, continua. O documento aponta os vetores que, segundo a PF, indicam a ocorrência de gestão fraudulenta por parte dos administradores. “Há elementos técnicos e documentais suficientes, convergentes, materialmente relevantes e reiterados para concluir, sob a perspectiva pericial, que o processo de aquisição de carteiras do Banco Master foi conduzido mediante práticas de gestão fraudulenta.” Segundo a análise, o BRB não comprovou “’due diligence’ específica, independente, abrangente e rastreável da contraparte”, que mostrasse a origem dos ativos. Em vez disso, “produziu pareceres internos e consultou fontes externas que registravam sobre a contraparte crescimento acelerado, capitalização sensível, elevada alavancagem, baixo caixa, dependência de plataformas de distribuição, complexidade do modelo de negócios e risco de imagem”. O banco distrital, segundo a PF, fez “neutralização temporal” de controles, incluindo alguns pareceres somente após a liquidação da compra. “O efeito foi transformar pareceres destinados a prevenir, condicionar ou impedir a exposição em documentos predominantemente ratificadores e/ou regularizadores de operações já consumadas.” Outra questão teria sido a “dissociação entre a forma individual das deliberações e sua realidade econômica agregada”, visto que o banco fez diversas transações em um curto período de tempo para que elas ficassem dentro do limite que a diretoria poderia aprovar sem ter de passar pelo conselho de administração (Consad). “A segmentação manteve cada ato dentro da alçada formal da Diretoria, mas suprimiu do Consad a apreciação integrada de uma estratégia contínua.” A PF também identificou que a “posição do Banco Master alcançou 90,31% da exposição por cedente e R$ 19,78 bilhões no pico de junho de 2025, equivalendo a 9,32 vezes a soma de todos os demais cedentes”. “Esse desenho ampliou a dependência do BRB em relação à originação, documentação, cobrança, repasses, informações e capacidade operacional do mesmo ecossistema contratual.” O Valor entrou em contato com o BRB e aguarda posicionamento sobre o assunto. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, é o único gestor do banco distrital preso — Foto: Andre Coelho/Valor