[RESUMO] Contenda entre Alexandre de Moraes e André Mendonça é inédita entre ministros do STF, mas representa apenas mais um passo no quadro de degradação institucional da corte que se arrasta há anos. Gambiarras judiciais, desprezo pelos procedimentos, conflitos abertos de interesses e comportamentos parciais de ministros fizeram do Supremo, aos olhos da sociedade, uma instituição política idêntica às outras, percepção que só tende a piorar no curto prazo.
O Supremo enfrenta agora uma crise dupla. Uma, de conjuntura, é inédita, mas tem resposta. A outra, estrutural e mais ampla, é insolúvel no cenário atual.
A primeira diz respeito a disputas internas, com enorme impacto político, em torno de relações potencialmente criminosas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, a partir de provocação do ministro André Mendonça.
A condução de Mendonça gerou acusações de parcialidade e abusos, e Moraes reagiu pedindo a investigação do próprio Mendonça.
A segunda crise é velha conhecida: o STF tem um problema grave de credibilidade. Togas e ritos não têm nos convencido de que funciona realmente como um tribunal, e não como uma instituição política igual às demais —imersa exatamente na mesma lógica, nos mesmos interesses, cálculos e conflitos, tendo apenas poderes diferentes.














