De fraude no BRB a escândalo político: o que as investigações do Caso Master revelam até agora Preso em novembro do ano passado, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teve o celular apreendido pela Polícia Federal. No aparelho foram encontradas conversas e registros que implicam autoridades do Legislativo e do Judiciário. O caso Master, iniciado como fraude financeira, causa um escândalo político e crise no STF. Mensagens indicam que Vorcaro conversou com Moraes sobre a investigação e fechou contratos de milhões com o escritório de advocacia da mulher do ministro. O senador Flávio Bolsonaro é investigado por receber R$ 61 milhões de Vorcaro. Para tentar conter a crise, presidente do STF marcou uma sessão nesta terça-feira (15). Estátua da Justiça, em frente à sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília — Foto: Antonio Augusto/STF O caso Master estourou há menos de um ano, em novembro de 2025, quando o Banco Central liquidou a instituição e a Polícia Federal prendeu seu dono, Daniel Vorcaro. Em dez meses, o que era uma suspeita de fraude bilionária — a venda de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos que o banco não tinha como honrar — se tornou um escândalo que atinge a classe política em ano eleitoral e provocou um conflito aberto entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Preso em novembro, Vorcaro teve o celular apreendido pela Polícia Federal. É nesse aparelho que foram encontradas conversas e registros que implicam autoridades do Legislativo e do Judiciário, entre eles o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. As investigações do caso Master indicam que Vorcaro mantinha uma rede de contatos que alcançava também servidores públicos, inclusive do Banco Central, políticos de diferentes lados e dirigentes de instituições financeiras. Há indícios de que essas relações envolviam pagamentos, presentes, convites para festas luxuosas e benefícios em troca de informações e de ações em favor dos interesses do banco. Nos últimos dias, a três semanas do primeiro turno das eleições, o caso escalou com um conflito aberto no Supremo em torno do avanço das investigações. Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro preso sugerem que Moraes discutia com Vorcaro a possibilidade de a PF deflagrar uma operação contra o banqueiro, o que de fato ocorreu. Em 15 de novembro de 2025, o então dono do Master perguntou ao ministro: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". Dois dias depois, o banqueiro foi preso no aeroporto quando tentava sair do Brasil. O relatório indicou também que Moraes revisou e editou o contrato de R$ 131 milhões assinado por sua mulher, Viviane Barci de Moraes, pela prestação de serviços ao Master. Daniel Vorcaro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução Master e Flávio Bolsonaro Em uma das mensagens, o senador afirma: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente". Segundo a reportagem, Vorcaro pagou R$ 61 milhões. Flávio Bolsonaro negava ter qualquer relação com Vorcaro. Após a revelação das mensagens, passou a dizer que o pedido de dinheiro corresponde a um "patrocínio" a um projeto privado, sem negócios irregulares. Flávio Bolsonaro fez campanha nesta quarta-feira (9) em Juiz de Fora (MG), a cidade onde seu pai levou uma facada durante a campanha de 2018 — Foto: Pilar Olivares/Reuters Em julho, foi aberta uma investigação sobre o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. A apuração busca esclarecer a origem, o uso e o destino dos recursos, inclusive se parte do dinheiro foi usada para bancar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Nesta sexta-feira, soube-se que Flávio Bolsonaro é investigado no inquérito, relatado por André Mendonça, que apura os repasses feitos por Daniel Vorcaro. O levantamento do sigilo de parte dos documentos do caso Master, na quinta-feira (10), mostrou que Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O presidenciável negou irregularidades e pediu transparência total. Além do inquérito sob comando de Mendonça, há outra investigação no Supremo sobre "Dark Horse", relatada por Flávio Dino. Nesse braço, são investigadas a produtora do filme, Karina Gama, e o roteirista, o deputado Mario Frias (PL). Master e Alexandre de Moraes Documentos que tiveram o sigilo retirado no dia 1º por Mendonça apontam que Moraes e Vorcaro mantiveram contato frequente e teriam se encontrado pessoalmente mais de uma vez entre março de 2024 e agosto de 2025. Viviane e Alexandre de Moraes — Foto: Divulgação Outro contrato, de R$ 50 milhões, previa pagamento em dinheiro ou por meio da entrega de bens. Uma proposta localizada pelos investigadores estabelecia que R$ 40 milhões seriam quitados com cotas de um jatinho e de um helicóptero. As mensagens demonstram proximidade e gratidão de Vorcaro em relação a Moraes. Em novembro de 2025, o banqueiro afirmou ter uma “dívida de vida” com o ministro e agradeceu por “tudo”. Em outra conversa, reclamou a um interlocutor que um pagamento ao escritório de Viviane não tinha sido realizado e classificou a quitação como “o mais importante que temos”, dizendo que poderiam surgir “problemas”. A PF também identificou mensagens sobre uma viagem de Moraes a Campos do Jordão, região turística do estado de São Paulo, em dezembro de 2023. Vorcaro determinou a auxiliares que preparassem uma “experiência completa” para convidados classificados como “ultra VIP”, com chef particular, passeios a cavalo e quatro seguranças. Os documentos apontam que a relação entre o ex-banqueiro e o ministro envolvia também eventos jurídicos organizados pelo Banco Master em Londres. Moraes participou de decisões sobre convidados e programação. Conflito entre ministros do STF Mendonça liberou os trechos que mostravam diálogos entre Moraes e Daniel Vorcaro. Edson Fachin, André Mendonça, Flávio Dino e Alexandre de Moraes — Foto: Alejandro Zambrana/STF, Antonio Augusto/STF e Gustavo Moreno/STF Fachin tenta saída, e sigilos caem Solicitou a Mendonça que abrisse o sigilo de inquéritos do caso Master – parte foi liberada na noite de quinta (10) e outra parte começou a ser revelada na noite de sexta-feira. Além do processo sobre Flávio Bolsonaro, também houve a quebra de sigilo de casos sobre Ciro Nogueira (PP-PI), Cláudio Castro (PL-RJ), Jaques Wagner (PT-BA) e Thiago Miranda. A investigação sobre Jaques Wagner apura a relação do senador com Augusto Lima, ex-sócio do Master. A apuração aponta indícios de pagamento de vantagens financeiras, por meio de repasses a uma empresa ligada a familiares do parlamentar e da aquisição de um apartamento de luxo em Salvador. Wagner nega ter cometido qualquer ato ilícito ou concedido benefícios ao Banco Master. Senador Jaques Wagner (PT-BA) e banqueiro Augusto Lima — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado e Vanner Casaes/Agência Alba No caso de Ciro Nogueira, a investigação apura a possível atuação do senador no Congresso em favor de Daniel Vorcaro e do Banco Master, com a apresentação da chamada “emenda Master”. A Polícia Federal aponta indícios de pagamento de vantagens financeiras ao parlamentar. Durante as operações, Nogueira negou as acusações. Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução A frente da investigação que envolve Cláudio Castro apura possíveis irregularidades nos R$ 3,6 bilhões aplicados pelo Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do Rio, no Banco Master. Segundo os investigadores, teria ocorrido uma manobra na direção do fundo para viabilizar operações consideradas de alto risco. Castro também negou as irregularidades durante diligências. Ex-governador do RJ Cláudio Castro é investigado por favorecer empresários na concessão de licenças ambientais — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução Confira as fases da operação Compliance Zero, que investiga o caso Master:
Veja o que as investigações do Caso Master revelam até agora | G1
Preso em novembro do ano passado, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teve o celular apreendido pela Polícia Federal. No aparelho foram encontradas conversas que implicam autoridades.














