Levantamentos incluíram uma busca pelo CPF de Vorcaro,e outra pelos termos “BRB and Master”, segundo investigação da Polícia Federal 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um grupo ligado a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, fez consultas irregulares a sistemas do Ministério Público Federal (MPF) e da própria Polícia Federal para acompanhar investigações relacionadas ao ex-banqueiro, segundo a PF. Os levantamentos incluíram uma busca pelo CPF de Vorcaro e outra pelos termos “BRB and Master”. Diante do resultado desta última, Vorcaro escreveu ao responsável pelas consultas: “Quero tudo. Atenção total”. As informações fazem parte de uma representação da PF encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e tornada pública nesta sexta-feira (11). A investigação identifica Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que aparece nas conversas como Felipe Mourão e também era chamado de “Sicário”, como o elo entre Vorcaro e uma estrutura que obtinha informações em sistemas de diferentes órgãos públicos. Segundo a PF, foram identificadas consultas com credenciais funcionais de terceiros em bases do MPF, da própria PF, da Polícia Civil(o Estado não foi especificado) e do Banco Central. Mourão - que se matou nas dependências da PF em março após ser preso - também é apontado como coordenador de um grupo chamado “A Turma”, ao qual os investigadores atribuem, além da busca por informações sigilosas, atividades de monitoramento e intimidação. Entre os integrantes identificados pela PF está o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. A investigação afirma que Mourão recebia R$ 1 milhão por mês e repassava parte dos recursos a pessoas que atuavam para ele, conforme já informado pelo Valor. Os diálogos indicam que o interesse de Vorcaro em descobrir o andamento de investigações aparece pelo menos em fevereiro de 2024. Naquele mês, ele enviou a Mourão o número de um inquérito e perguntou: “Sabem algo sobre esse IPL 500806989.2023.4.03.6181? É da JF (Justiça Federal) de São Paulo?”. Cerca de 40 minutos depois, Mourão encaminhou um áudio de Roseno. De acordo com a PF, o policial aposentado disse que já havia acionado a “Tropa” e que seria dada atenção especial ao pedido do banqueiro. Meses depois, em 23 de julho, Mourão enviou a Vorcaro o resultado de uma consulta ao MPF feita a partir do CPF do banqueiro. A pesquisa retornou 15 procedimentos, dos quais 11 estavam sob sigilo. A PF verificou que a consulta havia sido registrada no login de Daniel Souza Iost, servidor do Ministério Público. A identificação do usuário não aparecia de imediato no documento. Segundo a PF, o nome e o setor do servidor haviam sido cobertos por um hachurado branco. A informação, no entanto, continuava armazenada no PDF e pôde ser recuperada pela equipe de investigação. A PF interpreta o recurso como uma tentativa de ocultar quem estava associado à consulta. Em outra pesquisa, o mesmo usuário aparece associado à busca “BRB AND MASTER”, utilizada para localizar procedimentos nos quais as duas expressões constassem simultaneamente. Foi ao receber esse levantamento que Vorcaro respondeu: “Quero tudo. Atenção total”. Mourão respondeu: “Sim! Então vou mandar puxar geral. Ok”. O material obtido incluía uma notícia reservada da Procuradoria da República no Distrito Federal. O procedimento tinha como objeto apurar eventual ocorrência de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e delitos conexos relacionados à proposta de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A PF afirma que essa apuração foi o ponto de partida da Operação Compliance Zero, que mais tarde resultou na prisão de Vorcaro. A investigação indica que as buscas avançaram posteriormente para dentro da própria Polícia Federal. Em setembro de 2025, Mourão encaminhou uma imagem do ePol, sistema interno da PF, com o resultado de uma pesquisa pelo nome de Vorcaro. A tela mostrava números de inquéritos, dois deles sigilosos. Os investigadores ressalvam que, “em tese”, o grupo não conseguiu acessar o conteúdo desses procedimentos. A descoberta levou a PF a auditar os acessos ao sistema. Até a elaboração da representação, a apuração havia identificado que a consulta indevida partiu da Delegacia da Polícia Federal em Juiz de Fora, em Minas Gerais. A investigação sobre o acesso ainda estava em andamento. Os diálogos reunidos pela PF trazem ainda referências a consultas internacionais. Em outubro de 2025, Mourão encaminhou uma imagem com o logotipo da Interpol acompanhada das mensagens “O que está em branco foi para ocultar o nome de quem fez a pesquisa”, “Estamos aguardando o relatório principal do FBI” e “A Interpol está limpa”. A PF procurou a representação da Interpol no Brasil para verificar a origem da imagem. A resposta foi que o layout não correspondia aos mecanismos de consulta disponibilizados pela organização. Os investigadores levantam, porém, a hipótese de que a tela pertença a um sistema nacional de outro país conectado a uma base offline de notificações da Interpol. Neste caso, segundo a representação, a identificação disponível apontaria apenas o país de origem da consulta, e não necessariamente o usuário que a realizou. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário", se matou em março — Foto: Reprodução/O Globo
Grupo de Vorcaro acessou informações sigilosas do Ministério Público e da PF: ‘Quero tudo’
Levantamentos incluíram uma busca pelo CPF de Vorcaro,e outra pelos termos “BRB and Master”, segundo investigação da Polícia Federal










