Informação consta de mensagens de WhatsApp encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e reveladas após a retirada do sigilo de parte das investigações sobre o Master 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A relação de Daniel Vorcaro com a Reag já havia chamado a atenção da fiscalização do Banco Central em 2024. Em fevereiro daquele ano, antes de uma reunião do então controlador do Banco Master com Ailton Aquino, diretor de Fiscalização da autoridade monetária, Paulo Sérgio Neves de Souza, que era chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), antecipou ao banqueiro que ele deveria ser questionado sobre suas relações com a Reag e com João Carlos Falbo Mansur, fundador da gestora. A informação consta de mensagens de WhatsApp encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e reveladas após a retirada do sigilo de parte das investigações sobre o Master. Na representação, a PF afirma que Paulo Sérgio “o adverte antecipadamente que deve ser perguntado sobre suas relações com a REAG e com MANSUR”. Um ano depois, ainda conforme o documento, a Reag voltaria às conversas entre os dois, desta vez por causa de uma movimentação financeira que havia chamado a atenção da área de monitoramento. Em 17 de fevereiro de 2025, Paulo Sérgio avisou Vorcaro sobre a saída de R$ 488,6 milhões do fundo Reag Growth 95 e a entrada de R$ 545,5 milhões da Master Holding Financeira. “Meu caro, teve uma saída de recursos de 488,6 mm do Fundo Reag Growth 95 e uma entrada de 545,5 mm do Master Holding Financeira. Favor verificar o que pode ocorrer. Muito provavelmente caiu no filtro da área de monitoramento”, escreveu Paulo Sérgio, segundo diálogo reproduzido no documento. A PF apresenta o episódio como parte de uma atuação recorrente do servidor em apoio aos interesses de Vorcaro. Paulo Sérgio, servidor de carreira do Banco Central e ex-diretor de Fiscalização da instituição, está afastado da autarquia. A PF investiga a suspeita de que ele e Belline Santana, então chefe do Desup, tenham defendido interesses do Master dentro do BC e prestado uma espécie de consultoria informal a Vorcaro. A investigação também apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas. A proximidade entre Vorcaro e o servidor aparece em outras mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro. Em conversa com o cunhado Fabiano Zettel, Vorcaro orienta que ele trate Paulo Sérgio bem e afirma que o servidor “tá sendo um anjo na vida”. A PF destaca o diálogo ao descrever o apoio que, segundo os investigadores, Paulo Sérgio prestava ao controlador do Master. As conversas mostram ainda que a Reag aparecia em outras questões tratadas entre Vorcaro e o servidor. Em 2024, os dois discutiram problemas relacionados ao Will Bank. Em uma mensagem, Paulo Sérgio menciona a aprovação da compra do Will IP pela Reag. A PF conclui, a partir da sequência dos diálogos, que Vorcaro teria recebido uma negativa no processo de aquisição do Will Bank pelo “Master/Reag” e que Paulo Sérgio estaria atuando para que “possam revisar o posicionamento”. Mansur, que já aparecia nas conversas de 2024, passou posteriormente a ser investigado na segunda fase da Operação Compliance Zero. Na representação, a PF o identifica como sócio da Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e afirma que a instituição esteve envolvida na gestão de fundos sob suspeita de fraude. Mais recentemente, o ex-controlador da Reag assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), encaminhado ao ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Master no Supremo Tribunal Federal (STF), para análise de homologação. Paulo Souza Neves, ex-diretor de fiscalização e servidor afastado do Banco Central — Foto: Raphael Ribeiro/BCB