Destas operações, 21 ocorreram exatamente no teto do limite que a diretoria poderia aprovar sem submeter a operação ao conselho de administração, de R$ 750 milhões por operação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Diretoria do BRB aprovou 25 operações de aquisição de carteiras do Master no total de R$ 17,5 bilhões — Foto: Julia Aguiar/Agência O Globo A Diretoria Colegiada (Dicol) do Banco de Brasília (BRB) aprovou 25 operações de aquisição de carteiras do Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025, que somam R$ 17,5 bilhões, segundo laudo da Polícia Federal (PF). Destas operações, 21 ocorreram exatamente no teto do limite que a Dicol poderia aprovar sem submeter a operação ao Conselho de Administração (Cosad), de R$ 750 milhões por operação. Essas informações fazem parte dos indícios que levaram a PF a apontar outros seis diretores do BRB, além do ex-CEO Paulo Henrique Costa, por suposta gestão fraudulenta. O laudo tornou-se público após a retirada do sigilo de parte das investigações sobre o Master. A PF ainda apontou que 16 dos 24 intervalos entre as aprovações foram de até 15 dias, com períodos de apenas dois, quatro, seis e sete dias entre uma compra e outra. Só em janeiro de 2025, foram aprovadas compras de R$ 3 bilhões em carteiras. “Esses dados afastam a leitura de operações episódicas e independentes e evidenciam padrão de deliberação sucessiva no teto da alçada executiva”, diz o laudo. Segundo o regime de alçadas do BRB, o Comitê de Negócios (Coneg) poderia aprovar a compra de carteiras de até R$ 250 milhões, enquanto a Dicol poderia aprovar operações de até R$ 750 milhões. Acima deste valor, a operação deveria passar pelo Consad. “Do ponto de vista técnico-pericial, a burla ao regime de alçadas não se manifesta pela extrapolação formal de uma operação isolada, mas pelo esvaziamento objetivo da finalidade da norma”, diz o laudo. “Cada aprovação foi mantida no limite individual da Dicol; entretanto, o conjunto homogêneo de operações, realizado com a mesma contraparte e em sequência temporal concentrada, produziu exposição acumulada muito superior ao patamar que, se apreciado como conjunto materialmente correlato, demandaria deliberação pelo Consad”, explica. Para a PF, o valor acumulado de R$ 17,5 bilhões “configura padrão incompatível com a finalidade material da alçada” da diretoria do BRB. “Conclui-se, portanto, que a série de deliberações pela Dicol caracteriza, para fins técnico-periciais, fracionamento decisório e burla material ao regime de alçadas nas aquisições sucessivas de carteiras do Banco Master.” Procurada pelo Valor sobre o laudo de indícios de gestão fraudulenta, o BRB informou, em nota, que a nova administração da instituição “promoveu a renovação integral de sua diretoria executiva e adotou medidas de fortalecimento dos controles internos e da governança, incluindo a contratação de auditoria forense independente para apuração dos fatos relacionados às operações investigadas”. “Os achados da auditoria foram encaminhados às autoridades competentes, incluindo Polícia Federal, Banco Central, Ministério Público Federal, CVM e instâncias do Poder Judiciário, para as providências cabíveis. O Banco também vem adotando medidas administrativas, extrajudiciais e judiciais para resguardar seus interesses e buscar eventual responsabilização de envolvidos, sempre em colaboração com os órgãos de fiscalização e controle”, afirmou. O banco distrital também lembrou que foi aprovada, pelos acionistas, a autorização para que a instituição entre na Justiça para medidas de responsabilização civil contra ex-administradores relacionados ao caso Master. “Em razão das apurações ainda em curso e do compromisso de colaboração com as autoridades responsáveis, o BRB não comenta casos ou pessoas específicas.”