No laudo pericial, é relatada a criação de um grupo de trabalho em fevereiro de 2025, instituído pela diretoria de finanças e controladoria do BRB, para avaliar as carteiras que foram compradas do banco de Daniel Vorcaro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 BRB — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo O Banco de Brasília (BRB) manteve pagamentos ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, referentes à compra de carteiras de crédito mesmo após relatórios produzidos por um grupo de trabalho interno apontarem problemas no processo, incluindo inconsistências de dados e a necessidade de investigar indícios para minimizar risco de fraude. A informação consta em um laudo da Polícia Federal elaborado em agosto deste ano no âmbito da investigação sobre operações entre os dois bancos. O sigilo deste e de outros documentos foi retirado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, após decisão do presidente da Corte, ministro Edson Fachin. No laudo pericial, é relatada a criação de um grupo de trabalho em fevereiro de 2025, instituído pela diretoria de finanças e controladoria do BRB, para avaliar as carteiras que foram compradas do Master, em um contexto de crescente volume de cessões, perspectiva de novos negócios e dificuldades operacionais. Esse grupo produziu dois relatórios. O primeiro deles, de abril de 2025, foram registradas falhas concretas de conciliação, documentação, averbação, qualidade de dados, cumprimento contratual e risco de fraude. Segundo a PF, o documento também lista a ausência de lastros, a inexistência de relatório de conformidade por auditor independente, a necessidade de investigar achados e indícios para minimizar risco de fraude e a necessidade de recebimento dos valores não pagos pelo Banco Master, além da ausência de relatório de conformidade sobre a totalidade da carteira. Em maio do ano passado, foi produzido o relatório final do grupo, que mostrou que os problemas não haviam sido solucionados e citou a existência de controles considerados precários do lado do Master. Mesmo com os alertas, o fluxo de pagamentos ao Master não foi interrompido. Até a conclusão do primeiro relatório, em abril, operações vinculadas à deliberação da Diretoria do Colegiado (DICOL) já haviam resultado em R$ 11,07 bilhões em pagamentos ao Master. Entre o primeiro e o segundo relatório, foram desembolsados R$ 3,03 bilhões. Após o relatório final sobre o caso, outros R$ 2,19 bilhões. Os peritos da PF dizem que, sob a ótica de gestão de riscos, o relatório de abril já fornecia base factual suficiente para que a administração avaliasse medidas preventivas, como suspensão ou limitação temporária de novas compras, condicionamento a lastro e averbação prévios, implantação efetiva de uma conta “escrow” (de garantia), auditoria independente representativa e escalonamento formal dos descumprimento. Mesmo assim, novas aquisições foram aprovadas e pagamentos continuaram sendo realizados. Outro ponto destacado pela perícia é que, em 22 operações, totalizando R$ 7,63 bilhões, o pagamento foi feito antes que os pareceres técnicos das áreas responsáveis fossem assinados, mostrando que os controles que deveriam atuar antes da decisão acabaram sendo formalizados depois que o dinheiro já havia sido desembolsado. O relatório da perícia conclui, com base nestes e em outros fatos, que as informações sobre risco existiam, mas que não foram convertidas em diligência e usadas no condicionamento das operações. Ele também aponta que as operações não observaram o rito devido, de instrução, análise, formalização e aprovação, e que a exposição do BRB ao Master revelou concentração relevante de risco. A perícia diz ainda que há elementos de gestão fraudulenta, que não decorre do simples insucesso econômico, da assunção de risco elevado, da existência de prejuízo ou de uma falha procedimental isolada, mas “da utilização repetida de expedientes objetivamente aptos a distorcer, contornar, neutralizar ou regularizar retrospectivamente os mecanismos de informação, autorização e controle”. O Valor tenta contato com o BRB sobre o tema.
BRB manteve pagamentos ao Master mesmo após alertas internos e ‘atropelou’ pareceres técnicos, diz PF
No laudo pericial, é relatada a criação de um grupo de trabalho em fevereiro de 2025, instituído pela diretoria de finanças e controladoria do BRB, para avaliar as carteiras que foram compradas do banco de Daniel Vorcaro










