Transações contribuíram para elevar em R$ 26 bilhões as captações do conglomerado de Vorcaro seguradas pelo FGC ao longo de 2024, segundo uma auditoria do TCU 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Souza ajudou Daniel Vorcaro a dobrar a aposta no Banco Master com as aquisições da Will Financeira e dos bancos Voiter e Letsbank, segundo documentação da Polícia Federal tornada pública pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Essas aquisições contribuíram para elevar em R$ 26 bilhões as captações do conglomerado de Vorcaro seguradas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao longo de 2024, segundo uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). O Valor revelou que, em 2024, uma parte das irregularidades e dos desequilíbrios patrimoniais do Master já era de conhecimento do Banco Central, que, mesmo assim, permitiu que o banco de Vorcaro comprasse essas instituições. Uma série de mensagens trocadas entre Souza e Vorcaro, que vieram a público nesta manhã, mostra que o ex-diretor do BC deu orientações ao banqueiro que o ajudaram a contornar dúvidas das áreas técnicas do Banco Central responsáveis por aprovar as operações. Em uma das mensagens, de dezembro de 2023, Souza dá uma dica para Vorcaro argumentar, junto ao Banco Central, que a compra da Will Financeira poderia agregar a oferta de serviços financeiros aos clientes do Credicesta. Isso poderia ajudar a convencer os técnicos do BC que analisavam a operação porque representaria um direcionamento para operações de varejo, mais em linha com as captações do FGC, reduzindo a excessiva dependência de operações de atacado. “Will vai agregar capacidade de ofertar serviços de pagamento e conta corrente a uma base de clientes hoje já existente do Credicesta da ordem de quatro milhões de PFs”, disse Souza a Vorcaro, em mensagem por WhatsApp. Na mesma troca de mensagens, Souza diz que o Voiter seria o banco de investimento, com “ótimas perspectivas com a maturação de operações estruturadas”. Conforme publicado pelo Valor, o Banco Central deu aval para a aquisição do Voiter, ex-Indusval, em 26 de março de 2024, pouco mais de duas semanas depois de o Departamento de Supervisão (Desup) do BC emitir um ofício ao Master determinando a correção de problemas graves nos índices de liquidez. Fontes ouvidas pelo Valor relataram que, ao mesmo tempo em que fazia alertas, o Departamento de Supervisão do BC repassou informações ao Departamento de Organização do Sistema Financeiro (Deorf), responsável por analisar as operações de compra e venda de bancos, que foram cruciais para a aprovação das aquisições. Um potencial obstáculo para a operação era o fato de que, naquele momento, o Master estava desenquadrado de uma exigência de capital adicional pelas regras prudenciais. Quando questionado pelo Deorf, a supervisão do BC respondeu que, com a injeção de capital feita com a transação de compra do Voiter, o problema de capital do conglomerado estaria equacionado, incluindo a operação do Banco Master. A troca de mensagens pelo WhatsApp mostra Souza passando argumentos a Vorcaro sobre por que a compra do Voiter fortaleceria o capital do Master. “No caso do Voiter, a liquidação das operações gera caixa para o banco e, junto com a debênture do Roberto [Rezende de Barbosa, ex-dono do Voiter], gera um PL [patrimônio líquido] de 800 MM, importante diante da nova regra de alavancagem do FGC”, disse Souza. A aprovação para a compra da Will Financeira ocorreu em 27 de maio de 2024. Um dia depois, em 28 de maio, a supervisão do BC enviou ofício ao Master determinando a correção de uma deficiência de capital de R$ 885 milhões e de operações irregulares com o Fundo Bravo, administrado pela Reag. De novo, segundo apurou o Valor, a interferência da supervisão foi fundamental para aprovar a operação junto ao Deorf, então comandado por Renato Gomes. A resposta do Departamento de Supervisão, que norteou a decisão de autorizar a compra, foi a de que o Master estava no meio de um plano de capitalização que dava musculatura para absorver a Will. Também argumentou que a Will ajudaria a transformar o balanço do Master, até então concentrado em operações de atacado, que passaria a ter mais operações de varejo. A diversificação de riscos e a maior rentabilidade estariam alinhadas às captações com altos retornos garantidos pelo FGC. Na troca de mensagens entre Souza e Vorcaro, o ex-diretor do BC, que então era chefe-adjunto do Departamento de Supervisão, orientou o banqueiro a citar as operações de varejo como argumento para comprar a Will Financeira. “No caso da Will, gera uma sinergia com a base de clientes do Credicesta + relacionamento com a XP + possibilidade de ter captação de varejo”, diz Souza. O Credicesta é o crédito consignado por meio de cartão de crédito, que compunha a operação de varejo mais expressiva. O Master fazia captações garantidas pelo FGC por meio de plataformas de investimento, como a XP. O BC vinha insistindo que essa captação de varejo tivesse como lastro operações também de varejo. O Valor procurou a defesa de Paulo Souza, mas não havia obtido o seu posicionamento até a publicação desta reportagem. Paulo Souza Neves, ex-diretor de fiscalização e servidor afastado do Banco Central — Foto: Raphael Ribeiro/BCB
Ex-diretor do BC ajudou Vorcaro a dobrar aposta no Master com aquisições
Transações contribuíram para elevar em R$ 26 bilhões as captações do conglomerado de Vorcaro seguradas pelo FGC ao longo de 2024, segundo uma auditoria do TCU










