Há mais ou menos 20 anos perdi meu tio por suicídio. Não lembro exatamente a data, tento não guardar muita informação sobre isso. Lembro da ligação da minha irmã, de ir embora do estágio sem conseguir formar um pensamento, de chegar em casa e olhar para o rosto da minha mãe. Era o único irmão dela.
Minha irmã estava em casa. Meu pai, fora, estava resolvendo as questões burocráticas.
No velório, fiquei muito tempo sentada num banquinho lá fora. Não queria entrar. Até que tomei coragem e fiquei lá com a minha mãe e a minha avó. Agora só restavam elas da família que veio de Portugal nos anos 1950.
Na missa de sétimo dia, na igreja da Consolação, aqui na região central de São Paulo, foi a primeira vez que vi meu pai chorar na vida.
Éramos nós e alguns amigos da família. Meu tio não tinha amigos. Desde que meu avô morreu, quando eu tinha 11 anos, ele tinha depressão. Provavelmente, muito antes disso. Mas foi um pouco depois da morte do meu avô que ele tentou pela primeira vez. Por um milagre, ficou vivo.







