Chegou setembro, o mês da conscientização e da prevenção ao suicídio. Um assunto que muita gente evita, talvez por medo, vergonha ou por não saber o que dizer. Eu já tentei, sim, me matar. Não digo isso com orgulho nem para chamar atenção. Digo porque aconteceu comigo e porque esconder não faz com que a dor desapareça. Só faz com que ela fique ainda mais solitária.

Sobrevivi e esperei passar aquela dor imensa que estava dentro de mim. Na hora, parece que ela nunca vai passar. Parece que não existe amanhã, saída ou qualquer possibilidade de mudança. A gente não quer exatamente morrer. Quer que aquela dor acabe, que a cabeça pare de gritar e que o peito deixe de apertar. Mas, quando estamos no meio dessa tempestade, não conseguimos separar uma coisa da outra.

Na última vez, liguei para um amigo e disse que ia jogar a toalha. Ele respondeu: "Pega essa toalha, lava bem e começa novamente". Pode parecer uma frase simples, até engraçada para quem está de fora. Mas foi o jeito que ele encontrou de me dizer para esperar mais um pouco, respirar e não tomar uma decisão definitiva no pior momento da minha vida. Foi também uma forma de mostrar que eu não estava completamente sozinha.

É silencioso o que acontece. Nem sempre a pessoa avisa, chora na frente dos outros ou pede socorro de uma maneira clara. Às vezes, continua trabalhando, conversando e até sorrindo. Por dentro, porém, vai crescendo uma angústia difícil de explicar. Vem um desespero, um cansaço profundo e o ímpeto de acabar com tudo. A mente vai fechando todas as portas e convencendo a pessoa de que não existe outra solução.