Em duas semanas estarei em Moscou, Rússia, falando sobre o futuro que eu gostaria de inventar. Imaginar, como eles me pediram, é fácil: gostaria de um futuro onde todos encontram oportunidades para esculpir seus cérebros, aprendendo diretamente uns com os outros tudo o que a humanidade já entendeu e construiu de melhor e desenvolvendo suas próprias permitências.

Nesse meu futuro imaginado em que nossa humanidade se perpetua e estende, algoritmos são apenas ferramentas para resolver problemas que nos interessam e fazer bom uso do nosso tempo limitado, e não um modo de vida. No meu futuro, jovens ganham acesso às ditas IAs apenas ao concluírem sua educação e capacitação para viver em um mundo sempre em mutação.

Mas pelo andar da carruagem, apenas uma elite terá esse luxo de crescer com oportunidades para cultivar suas permitências, com habilidades de construir e reconstruir ideias do zero e usar IA apenas como ferramenta.

Que ironia que no topo desta elite estarão os filhos dos atuais senhores da IA. Seus pais no momento estão ocupados em explorar seu novo brinquedo só porque podem e porque querem ganhar dos vizinhos... também só porque podem. Para isso, precisam convencer o maior número possível de humanos de que todos ganham com o brinquedo e aliás não podem mais viver sem ele. Menos, é claro, seus filhos, que, sem acesso a telas, continuam tendo oportunidades de aprender com seu próprio cérebro, desenvolver suas permitências e manter a humanidade de pé.