Por muito tempo se discutiu se cada uma das características da vida, e da humana em particular, seria determinada pela natureza do ser vivo ou pelo seu ambiente –"nature" or "nurture", em inglês. A primeira se referia sobretudo à genética, e a segunda, às influências do meio em que o ser cresce e se comporta, às circunstâncias em que ele vive sua vida.
O debate foi acirrado por uns tempos, e só fez piorar com as descobertas de genes que influenciam comportamentos, como a preferência sexual. Por um lado, uma causa genética (ainda) é algo inevitável e um tanto aleatório, o que exculpa o dono de suas características, sejam elas assim ou assado ou os dois, pois ninguém escolhe as sensibilidades sexuais do cérebro com que nasce. Por outro, vários grupos se sentem diminuídos quando seu comportamento, seja hetero ou homossexual, bi ou nenhuma das respostas acima, não é considerado sua escolha. Note que o debate seria inócuo se o comportamento sexual consensual dos adultos não fosse da conta de mais ninguém além dos envolvidos, como deveria ser.
Ajudou um pouco a neurociência entender que o que somos, com raras exceções, depende não só de como nascemos mas também do que fazemos com o que nos é inato, bem como da interação entre as duas coisas. Mas não resolveu; a pergunta apenas passou a ser quantitativa. Quanto de tal comportamento é inato, quanto é aprendido?







