Guarda Revolucionária busca abrir nova frente na guerra contra os EUA, segundo fontes do governo iemenita, iranianas e regionais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Houthis intensificam ataques contra a Arábia Saudita e abrem nova frente na guerra entre EUA e Irã — Foto: Al Masirah/Divulgação via REUTERS O avanço relâmpago dos houthis ao longo da costa do Mar Vermelho, no Iêmen, contou com orientação direta da Guarda Revolucionária do Irã, que busca abrir nova frente na guerra contra os EUA, segundo fontes do governo iemenita, iranianas e regionais. Ao tomar a cidade portuária de Mocha, no sudoeste do país, os houthis reforçaram seu domínio sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, uma via navegável estratégica cuja interrupção restringe ainda mais o abastecimento global de energia, após o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã. Seis meses após o início do conflito entre Irã e EUA, o grupo parece agora focado em consolidar domínio sobre o estreito, mesmo enquanto as forças governamentais adversárias, apoiadas pela Arábia Saudita, concentram-se em ofensiva no norte. O Irã instruiu os houthis na semana passada a intensificar ataques contra a Arábia Saudita, aliado próximo dos EUA, e prometeu mais financiamento, armas e oficiais seniores para ajudá-los nessa tarefa, segundo duas fontes iranianas. Embora o Irã descreva os houthis como aliados, nega publicamente dar orientação militar ao grupo e afirma que os militantes “não atuam como representantes” do país persa. Contudo, vários comandantes de alto escalão da Guarda Revolucionária do Irã já viajaram ao Iêmen para supervisionar e comandar ataques houthis contra a Arábia Saudita, após semanas de discussões sobre estratégia militar, disse um diplomata regional informado por Teerã. Uma terceira fonte iraniana afirmou que o Irã havia realizado várias reuniões com aliados, incluindo os houthis, e que a ação em Mocha foi uma decisão do grupo, e não do Irã. No entanto, isso ajudou Teerã a exercer pressão de alta nos preços do petróleo e a prejudicar os Estados Unidos e a Arábia Saudita, acrescentou a fonte. No Iêmen, cinco fontes militares do governo apoiado pela Arábia Saudita, e reconhecido internacionalmente, afirmaram que a Guarda Revolucionária dirigiu a nova campanha houthi ao longo da costa do Mar Vermelho — uma planície estreita e plana conhecida como Tihama —, começando por uma enxurrada de foguetes. Citando comunicações interceptadas e relatos de prisioneiros houthis capturados, as fontes militares iemenitas afirmaram acreditar que a ação iraniana é comandada por Abdolreza Shahlaei, um alto comandante da Guarda Revolucionária. Fontes iranianas não puderam confirmar tal relato imediatamente, embora já tenham descrito Shahlaei — que integra a Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária — como alguém que passou algum tempo no Iêmen nos últimos anos. A Guarda Revolucionária teria transportado armas e pessoal, dentro e fora do Iêmen, apesar do bloqueio aéreo e marítimo das áreas houthis, afirmaram as fontes iranianas sem dar mais detalhes. “Se analisarmos a ofensiva na costa oeste, não é algo que tenha sido preparado apenas na semana passada ou no mês passado”, disse Ahmed Nagi, analista de Iêmen no International Crisis Group, descrevendo a tomada de Mocha como um marco significativo na guerra. “A evolução dos houthis deveu-se basicamente às novas armas que obtiveram, seja diretamente dos iranianos, seja por meio das diferentes redes de contrabando com as quais contam”, acrescentou Nagi, destacando o uso de drones na última ofensiva. Situação militar incerta Quando os houthis iniciaram o avanço em direção a Mocha na semana passada, o governo do Iêmen solicitou mais apoio aéreo e outros tipos de ajuda aos sauditas, afirmaram duas autoridades iemenitas. O governo buscava uma campanha aérea saudita contra alvos houthis no reduto do grupo, incluindo Sanaa e ativos estratégicos importantes, como depósitos de petróleo, disseram as mesmas fontes. No entanto, o reino saudita limitou-se a fornecer apoio logístico, de armamento e de inteligência, com apenas ataques aéreos restritos, concentrados nas frentes de batalha do norte, nas províncias de Jawf e Marib — áreas que o governo considerava menos importantes. A avaliação das próprias autoridades era de que o governo saudita está ansioso para evitar uma grande escalada com os houthis, por medo de provocar ataques mais intensos, com drones, em território do reino. Autoridades sauditas não responderam imediatamente aos pedidos da Reuters por comentários sobre o foco militar de Riad na frente norte, em vez da costa do Mar Vermelho e de outros grandes alvos houthis. A situação militar geral no Iêmen é difícil de avaliar após uma pausa de anos nas principais hostilidades, desde que um cessar-fogo foi acertado em 2022. Tanto o Irã quanto a Arábia Saudita investiram nas forças que apoiam no país, mas a coalizão pró-governo tem sofrido com divisões internas. Embora as rodadas anteriores de combate na região de Tihama tenham resultado em avanços e recuos repentinos, ainda não está claro se as forças apoiadas pela Arábia Saudita conseguirão desalojar facilmente os houthis desta vez, disse Nagi. “Talvez possamos ver alguns avanços do governo se receber o apoio necessário dos sauditas. Mas isso pode ser um pouco difícil desta vez”, acrescentou.
Armas e orientações do Irã ajudaram houthis a tomar cidade estratégica no Mar Vermelho
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