Declaração foi dada em meio à intensificação dos combates com forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mohammed Abdulsalam, porta-voz dos houthis, deu declaração sobre navegação após escalada dos ataques do grupo contra a Arábia Saudita — Foto: Vladimir Tonic/Handout via Reuters/Arquivo O porta-voz dos houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, Mohammed Abdulsalam, afirmou nesta quinta-feira que a navegação e o comércio internacional no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb continuavam seguros e regulares. A declaração foi dada em meio à intensificação dos combates com forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita. Em uma publicação no X, Abdulsalam disse que o Iêmen não representa ameaça à navegação e que as operações dos houthis são defensivas e limitadas a alvos previamente anunciados. Segundo ele, as ações terminarão assim que cessarem os ataques contra o Iêmen e o bloqueio ao país for suspenso. O centro de coordenação de operações humanitárias administrado pelos houthis afirmou, entretanto, que a navegação no Mar Vermelho era segura para todas as companhias de transporte marítimo, com exceção das sauditas. Mais cedo, a Reuters também informou que a milícia xiita tomou a cidade portuária iemenita de Mocha e avançou pela costa do Mar Vermelho até as estratégicas ilhas Hanish, ampliando seu controle sobre posições próximas a Bab el-Mandeb. A passagem se tornou ainda mais importante para as exportações sauditas de petróleo desde que o Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz após o início da guerra, há mais de seis meses. Em julho, os houthis anunciaram um embargo marítimo contra portos sauditas, afastando operadores de navios e reduzindo a capacidade de exportação de Riad. Nos últimos dias, o grupo também lançou ataques contra infraestrutura energética da Arábia Saudita. Se os houthis conseguirem impor um bloqueio a Bab el-Mandeb, no lado oposto da Península Arábica em relação a Ormuz, o Irã poderá ganhar uma vantagem importante na guerra contra os Estados Unidos. O fechamento da passagem restringiria o fornecimento de petróleo por um segundo grande corredor marítimo e poderia provocar uma nova disparada dos preços. A pressão sobre as rotas de exportação já coincide com uma forte redução da produção saudita. Dados fornecidos pela Arábia Saudita à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e divulgados nesta quinta-feira mostram que o reino produziu 6,2 milhões de barris de petróleo por dia em agosto, o menor volume mensal de 2026 e 23% abaixo do registrado em julho. Segundo dados da consultoria Kpler publicados pelo Financial Times, as exportações sauditas de petróleo bruto recuaram para 3,1 milhões de barris por dia em agosto, o menor nível desde 2013, ante 5,1 milhões em julho. Logo após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, no fim de fevereiro, a Saudi Aramco passou a direcionar por oleodutos o maior volume possível de petróleo para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, numa tentativa de contornar Ormuz. A estratégia permitiu ao país recuperar parcialmente a produção, para cerca de 80% do nível anterior à guerra. Mas, diante da capacidade limitada de armazenamento e das ameaças dos houthis à principal rota alternativa de exportação, Riad voltou a reduzir a produção. Como maior produtora da Opep e maior exportadora de petróleo do mundo, a Arábia Saudita exerce influência desproporcional sobre os mercados da commodity. O preço do petróleo Brent, referência global, chegou a subir 4% nesta quinta-feira, para US$ 105 por barril, diante das preocupações com possíveis interrupções nas rotas de fornecimento.