Homenagem faz parte das comemorações pelos 106 anos da universidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A partir do alto à esquerda: Adriano Fonseca Filho, Ana Maria Nacinovic Correa, Antônio Pádua Costa, Antônio Sérgio de Matos, Antônio Teodoro de Castro, Arildo Airton Valadão, Áurea Eliza Pereira Valadão, Ciro Flávio Salazar Oliveira, Fernando Augusto da Fonseca, Flávio Carvalho Molina, Frederico Eduardo Mayr, Guilherme Gomes Lund, Hélio Luiz Navarro de Magalhães, Jana Moroni Barroso, José Roberto Spiegner, Kleber Lemos da Silva, Lincoln Bicalho Roque, Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides, Maria Célia Correa, Maria Regina Lobo L. Figueiredo, Mário de Souza Prata, Paulo Costa Ribeiro Bastos, Raul Amaro Nin Ferreira e Sônia Maria de Moraes Angel Jones — Foto: Reprodução Nos momentos mais terríveis da ditadura militar (1964-1985) não foram poucos os estudantes e professores universitários brasileiros que se levantaram em defesa da democracia. Para muitos deles, a luta redundou na interrupção de sonhos. Mortos e desaparecidos por enfrentar o regime, deixaram de se tornar filósofos, artistas, físicos, advogados, farmacêuticos, arquitetos, economistas, químicos, biólogos, sociólogos e engenheiros para entrar para a História. Ontem, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) rendeu homenagem a 22 alunos e dois mestres com a entrega de diplomas póstumos às famílias em ato que reuniu memória, reconhecimento e reparação. Roberto Medronho entrega o diploma póstumo de Raul Amaro Nin Ferreira a seu sobrinho Felipe Nin — Foto: Divulgação/UFRJ —Homenageamos postumamente esses estudantes e os dois docentes que tiveram suas vidas brutalmente ceifadas pela ditadura. Queremos que os nossos jovens conheçam essas histórias e as transmitam para as próximas gerações. Porque uma democracia sem memória é muito vulnerável — disse Roberto Medronho, reitor da UFRJ. Em julho, a universidade já havia diplomado Stuart Edgar Angel Jones, estudante do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como bacharel em Ciências Econômicas. Ele foi sequestrado, torturado e morto por agentes da ditadura em 1971, quando tinha 25 anos. Seu corpo jamais foi encontrado. Ninguém foi punido pelo crime. Stuart Angel, filho de Zuzu e integrante da luta armada torturado e morto pela ditadura — Foto: Arquivo de família Na cerimônia de ontem, realizada no no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, no Flamengo, Roberto Medronho pediu desculpas aos familiares pela demora da universidade em conferir a diplomação às vítimas: — Trata-se de um diploma formal, póstumo, obviamente com valor simbólico, não jurídico. É como se disséssemos: “Nós não esquecemos vocês”. Quando pronunciamos os nomes deles e entregamos os diplomas, estamos também contando suas histórias e devolvendo essa memória à universidade. Essa história não pode ser apagada. Eu até peço perdão aos familiares porque isso demorou muito tempo. Esse ato já deveria ter sido realizado há muito tempo. Entre os homenageados na cerimônia — incluída nas comemorações pelos 106 anos da UFRJ, completados dia 7 — está Raul Amaro Nin Ferreira. Preso e torturado, Raul passou por dois dos mais temidos centros de repressão do regime: o prédio do o prédio do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), no Centro, e o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do I Exército, na Tijuca. Por fim, foi levado ao Hospital Central do Exército (HCE), em Benfica, onde foi novamente interrogado sob tortura segundo conclusão de investigação da Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio). Raul Amaro morreu no HCE, entre os dias 11 e 12 de agosto de 1971, aos 27. — Eu acho que essas homenagens suprem uma lacuna, que é a ausência de justiça. Até hoje, as pessoas responsáveis pela prisão, pela tortura e pelo assassinato dele não responderam diante da Justiça. Pelo contrário, tiveram seus processos anistiados — disse Felipe Nin, sobrinho de Raul, que seguiu os passos do tio e milita como membro do Coletivo Memória, Verdade e Justiça e Reparação. — É muito importante lembrar o que foi a ditadura para valorizar a democracia, por mais limitações que ela tenha, e fortalecer as instituições para que ela possa avançar. Sem assinatura Entre os estudantes que receberam o diploma póstumo está uma das vítimas do episódio conhecido como a “Chacina de Quintino” ocorrido em uma casa no bairro da Zona Norte do Rio em 29 de março de 1972. A versão oficial da época apontava que Antônio Marcos Pinto de Oliveira, Lígia Maria Salgado Nóbrega e Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo, integrantes da organização de esquerda VAR-Palmares haviam sido mortos durante confronto com agentes da ditadura. Somente em 2013, investigação conduzida pela CEV-Rio apoiada em documentos e depoimentos desmontou a farsa e concluiu que os três foram executados. Maria Regina, que tinha 33 anos à época, era da Faculdade de Educação da UFRJ. Os diplomas entregues com a inscrição em latim post mortem foram assinados na hora pelo reitor da universidade. A sala foi preenchida por emoção durante todo o tempo. Vazio mesmo, só o espaço deixado para a assinatura dos formandos.
UFRJ concede diplomas póstumos a 25 estudantes e professores desaparecidos e mortos pela ditadura
Homenagem faz parte das comemorações pelos 106 anos da universidade
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