Em dezembro de 1968, aprovada em segundo lugar, Ana Maria Nacinovic ingressou no antigo curso de Artes Decorativas na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas, diante do crescimento do autoritarismo e da repressão da ditadura, a jovem abandonou os estudos no ano seguinte e optou por aderir à luta armada. Seu sonho de seguir carreira como pintora num país democrático foi interrompido em 14 de junho de 1972, quando ­Nacinovic foi executada, aos 25 anos, pelas forças de segurança em São Paulo.

Como gesto de reconhecimento e reparação de trajetórias acadêmicas que foram brutalmente descontinuadas pela violência do Estado, a UFRJ promoveu no dia 9 de setembro a diplomação póstuma de 26 alunos e professores da universidade mortos e desaparecidos durante a ditadura, entre eles, ­Nacinovic. Como ato adjunto, a Comissão de Memória e Verdade da Escola de Belas Artes, criada em 2023 com o objetivo de investigar os crimes e as violências sofridas pela comunidade acadêmica da EBA durante o período ditatorial, localizou documentos acadêmicos da estudante e uma pintura inédita e desconhecida dela.

Nos documentos, nos quais ela assinava o nome de solteira, aparece a inscrição “Faleceu em 1972” na capa do envelope. Baseada nas investigações, a CMV-EBA, em diálogo com familiares e consultoria de especialistas, solicitou a correção do nome civil de Ana Maria Nacinovic com a retirada do sobrenome de casada “Corrêa” na diplomação honorífica. Segundo consta, o ex-marido da estudante, o capitão do Exército Carlos Augusto Albernaz Corrêa, destruiu suas pinturas, promoveu violência de gênero e auxiliou as forças da repressão na sua perseguição. O assassinato ocorreu antes da lei do divórcio, o que na época impediu a retirada do sobrenome.