Presidente do Supremo convocou uma sessão extraordinária para avaliar mensagens de Daniel Vorcaro a Moraes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fachin em plenário do STF — Foto: Gustavo Moreno/STF/02-10-2025 O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, reduziu os poderes dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ao lançar um pacote de decisões para aliviar as tensões internas dentro da Corte. Nesta quarta-feira, Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das Fake News e suspendeu a decisão de Mendonça de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Além disso, ele também decidiu que "todo e qualquer procedimento" sobre integrante da corte deve ser "preliminarmente" remetido a ele. Como consequência prática, as medidas enfraqueceram as atuações de Moraes e Mendonça, que nos últimos dias usaram decisões e relatórios da PF para trocar acusações entre si. O primeiro acusou o outro de crime de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade administrativa. O segundo, por sua vez, pediu a elaboração de um relatório da PF que sugeria supostas práticas de advocacia administrativa e obstrução de Justiça. As decisões também elevam o poder de Fachin em um momento de escalada na rixa interna entre duas alas do Supremo — uma mais próxima de Moraes e outra mais alinhada com Mendonça. Além de centralizar nele as decisões sobre investigações contra ministros da Corte, Fachin assume a relatoria do inquérito das Fake News, que já dura mais de sete anos sem um objeto definido. O presidente do Supremo também convocou uma sessão extraordinária para avaliar a troca de dezenas de mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Os diálogos ocorreram no auge da crise do banco, que culminaram com a liquidação da instituição pelo Banco Central e a primeira prisão de Vorcaro. A sessão ocorrerá na próxima terça-feira, dia 15. A medida é uma tentativa de contornar a crise deflagrada dentro da Corte no embate entre Moraes e Mendonça. A turbulência ganhou novos capítulos com o vaivém em torno da permanência do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no cargo. Mendonça determinou na terça-feira o afastamento, mas o ministro Flávio Dino restabeleceu o posto de Rodrigues em despacho nesta quarta. No fim do dia, o presidente suspendeu as duas decisões. Além de tentar tomar as rédeas da situação, Fachin também aproveitou para passar recados aos colegas no pacote de decisões baixada hoje. O ministro defendeu que é preciso "zelar pela integridade" da Corte e que um "quadro de conflitos e sobreposições processuais" configuram "grave lesão à ordem pública". "É grave o quadro em que decisões de ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência", escreveu o presidente da Corte. O julgamento marcado para a próxima terça-feira também tende a evidenciar divisões internas e servirá como um teste da gestão de Fachin à frente do Supremo. A sessão tem potencial de acentuar ainda mais o racha ou apaziguar o ânimo dos ministros. Na ocasião, ficará conhecida a posição de três ministros considerados peça-chave na definição do resultado: Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e o próprio Fachin, que passou os últimos conversando os colegas em uma busca de uma solução para a crise.