Presidente da Corte conversou mais cedo por telefone com Mendonça, também envolvido na crise 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro Edson Fachin, presidente do STF, falou pela primeira ao GLOBO sobre a condução do caso Master — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, se reuniu nesta quarta-feira com os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino para discutir a crise instalada na Corte em torno das investigações do caso Master. Os encontros ocorreram separadamente, segundo apurou O GLOBO. Além das conversas presenciais, Fachin tem falado por telefone com outros integrantes do Supremo ao longo do dia. O presidente da Corte vem ampliando as consultas internas enquanto avalia qual caminho adotar para encerrar a crise e reduzir o desgaste institucional provocado pela disputa. As consultas ocorrem em um momento de pressão crescente para que Fachin assuma a condução de uma solução para a crise. Ministros avaliam reservadamente que a demora por uma definição tem prolongado a crise e mantido o tribunal exposto a uma sucessão de novos episódios de tensão. Nesta semana, Fachin ganhou mais uma frente para administrar depois que Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A medida levou a Advocacia-Geral da União (AGU) a recorrer à presidência do Supremo para tentar derrubar a decisão. Fachin, porém, não decidiu imediatamente sobre o pedido. Na terça-feira, deu prazo de 72 horas para que Mendonça se manifeste sobre o recurso da AGU e determinou que, depois disso, o processo retorne à Presidência para análise. Nesta quarta-feira pela manhã, uma decisão de Flávio Dino acrescentou um novo capítulo à disputa. O ministro reverteu a ordem de Mendonça e determinou a reintegração de Andrei ao comando da PF. A decisão ampliou o entrelaçamento entre diferentes ministros do Supremo na crise justamente no momento em que Fachin tenta construir internamente uma saída para o impasse. A sucessão de decisões aumentou a pressão sobre a presidência da Corte, que vive o que é considerada a sua mais profunda crise de credibilidade dos últimos anos. Ministros defendem que Fachin encontre uma solução capaz de interromper a escalada do conflito e evitar que o desgaste continue contaminando o tribunal. Entenda o caso A Segunda Turma do Supremo Tribunal (STF) chegou a formar maioria na terça-feira para manter a decisão de Mendonça que determinou o afastamento de Andrei. O ministro Gilmar Mendes, no entanto, pediu vista e interrompeu a análise no plenário virtual. Agora, no entanto, fica valendo a decisão de Dino. Mendonça afirmou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático” e ilegal realizado pela área de inteligência da Polícia Federal por mais de um mês. O magistrado listou seis relatórios produzidos entre os dias 3 e 31 de agosto com análises sobre sua atuação e sobre sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. O caso citado pelo ministro veio à tona na semana passada, em decisão de Moraes. O ministro afirmou em decisão ter conhecimento de relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontavam possíveis irregularidades na conduta de Mendonça na condução das investigações sobre as fraudes no Master e no INSS. Moraes tomou a decisão após Mendonça retirar o sigilo de um outro documento feito pela PF, relatando as mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Com base nesses relatórios, que não têm assinatura nem brasão oficial da PF, Moraes pediu uma investigação sobre Mendonça e apontou indícios de crime de responsabilidade, abuso de poder e improbidade administrativa. Os relatórios trazem a suspeita de que Mendonça pode ter interferido indevidamente na Polícia Federal e direcionado delações premiadas, o que, de acordo com os textos, pode ter ocorrido por interesses políticos. Moraes não determinou a elaboração dos relatórios, mas afirmou na decisão que ordenou o envio "em virtude da notícia da existência" deles, sem revelar como soube. A decisão diz que a PF deve mandar os documentos que "contenham citação a nomes dos membros dessa Suprema Corte". Mendonça, por sua vez, sustentou em decisão nesta terça-feira que o material revela a realização de “monitoramento e coleta dirigida” tanto sobre ele quanto sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias, que também é citado nos relatórios de inteligência. Para Mendonça, a prática configura um “monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país”. "Em segundo lugar, importa registrar que este relator foi submetido a monitoramento sistemático por parte da inteligência da Polícia Federal (...) Houve a produção de ao menos seis relatórios de inteligência, os quais teriam sido recebidos por referida autoridade entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026. Ou seja, ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação", escreveu Mendonça.