Medidas foram tomadas em uma tentativa de superar a crise que tomou o STF 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente do STF, Edson Fachin, na abertura do ano do Judiciário — Foto: Brenno Carvalho/ Agência O Globo/02/02/2026 O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tomou uma série de decisões nesta quarta-feira para tentar contornar a crise institucional enfrentada pelos ministros da Corte. Entre as determinações, Fachin suspendeu novas investigações contra ministros do Supremo sem análise prévia da Presidência, retirou Alexandre de Moraes da condução do inquérito das fake news e marcou para a próxima terça-feira o julgamento sobre o relatório da Polícia Federal (PF) que revelou mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. As medidas foram tomadas em uma tentativa de superar a crise que tomou o STF em meio ao embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Diretor da PF mantido A turbulência ganhou novos capítulos com o vaivém em torno da permanência do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no cargo. Mendonça determinou na terça-feira o afastamento, mas o ministro Flávio Dino restabeleceu o posto de Rodrigues em despacho nesta quarta. Fachin suspendeu as decisões que tratavam do afastamento do diretor-geral da PF e o reintegrou ao cargo. Ao intervir diretamente na disputa, Fachin afirmou que as decisões sucessivas, em 24 horas, criaram um “inconciliável conflito de posições judiciais” e determinou que a controvérsia passe a ser tratada pela presidência da Corte. Suspensão de novas investigações Em outro movimento para tomar as rédeas dos desdobramentos, Fachin determinou a suspensão de qualquer procedimento que possa representar investigação contra ministros da Corte. A decisão determina a “suspensão de todo e qualquer procedimento que verse sobre potencial investigação em face de integrantes deste Supremo Tribunal Federal, os quais devem ser preliminarmente remetidos a esta Presidência”. A suspensão de novos procedimentos vem após os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes tomarem decisões apontando possíveis irregularidades um do outro. Inquérito das fake news Fachin também retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news, aberto há sete anos. A investigação seguirá em vigor, agora sob o comando do próprio presidente da Corte, que na decisão abriu um caminho para encerrar o inquérito. A relatoria saiu das mãos de Moraes após o ministro pedir investigação de Mendonça no âmbito do inquérito, citando relatório de inteligência da Polícia Federal que aponta possíveis irregularidades na conduta de Mendonça na condução das investigações sobre fraudes no Master e no INSS. Relatório sobre Moraes Após Mendonça retirar sigilo de um documento da Polícia Federal que relatava mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, o caso foi remetido à presidência do STF. Fachin marcou para a próxima terça-feira, dia 15, às 10h, o julgamento para tratar deste processo, com possível debate sobre a abertura de uma investigação. Investigação da PGR No despacho desta quarta, Fachin suspendeu também o procedimento aberto pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, para investigar possível interferência na PF para produção do relatório sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes. Gonet havia pedido a Fachin para apurar a possível participação do ministro André Mendonça no caso. O procedimento também visava apurar a conduta de integrantes da PF que produziram o relatório por determinação do ministro. Antes de ser encerrado nesta quarta-feira, o procedimento gerou incômodo entre os policiais federais.