Edson Fachin reagiu, nos acréscimos. Suspendeu a partida por causa de pancadaria generalizada, como diz o clichê do futebol. Como o jogo vai prosseguir, se com mais intervenção da polícia (de Fachin), se a partida vai para os pênaltis ou até para o tiroteio, não se sabe. Mas o presidente do Supremo reagiu ao fato de que ministros se digladiavam publicamente com decisões que ameaçam a ordem mais básica (qual lei ou decisão vale?) e o atropelavam até em casos que estavam na mão dele, de Fachin. "Delineia-se, assim, quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública", escreveu o presidente do STF.

A ameaça de grave lesão à ordem pública continua, assim como a de mais ataques à decência básica da campanha eleitoral. Fachin por ora tirou poder de Alexandre de Moraes. Vai submeter ao plenário o pedido, vamos dizer assim, de Mendonça de investigar Moraes. Há suspeitas sobre como Mendonça conduz os inquéritos do INSS e de Master Vorcaro. Mas disso Fachin não tratou, ao menos em público.

Dois ministros do STF na ativa e um aposentado dizem que a reação de Fachin atenua o risco de descontrole total, mas acreditam que a "luta continua" entre os grupos de poder (na conjuntura de agora, o de Moraes contra o de Mendonça). Derrotas maiores de um grupo ou de outro podem suscitar novos golpes abaixo da cintura. Vazamentos adicionais e eleitoralmente enviesados dos processos conduzidos por Mendonça levariam mais gente para a luta na lama (do STF, da PF, do governo). Em suma, dizem esses doutos, Fachin não pode acreditar que basta o tranco que deu. A ação agora tem de ser "contínua e se antecipar a desdobramentos e ousadias", diz um ministro.