Presidente do STF tinha dado 72 horas para relator do caso Master se pronunciar e já era alvo de críticas de integrantes do governo e de membros da própria Corte 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sessão Plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino e André Mendonça — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Em meio à falta de uma decisão mais efetiva do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o ministro Flavio Dino não só restituiu a chefia da Polícia Federal a Andrei Rodrigues, como escalou mais um degrau na crise institucional que tomou conta do Judiciário. Dino fez uma grave reprimenda pública em seu colega de corte o ministro André Mendonça, que havia liminarmente tirado Andrei do cargo ontem, e colocou ainda mais pressão sobre Fachin. Diante da escalada, o presidente da Corte adiou a sessão que estava marcada para esta tarde. Após o recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) à decisão de Mendonça na noite de ontem, pedindo suspensão da liminar, o presidente do STF deu 72 horas para que seu colega de Corte se manifestasse. O prazo tentava manter sua estratégia original de ganhar tempo para construir e tomar decisões, alinhando os prazos com os pedidos de explicações feitos na semana passada e que tinha prazo de cinco dias úteis. A postura do chefe do Judiciário, porém, tem sido criticada nos bastidores do governo e também por integrantes da própria corte. A leitura básica é que o método de deixar o tempo consertar as coisas não se aplica a um momento grave como o atual e que está transbordando para a disputa eleitoral. A decisão de Dino deve ser lida nesse contexto. Com o despacho de hoje, ele reforça a pressão por uma solução mais rápida de Fachin e do plenário do Supremo. E ainda tira do chefe da AGU, Jorge Messias, de quem é desafeto, a chance de ser o responsável pela reversão da liminar que colocou o Palácio do Planalto dentro da crise, em um momento de desgaste do advogado-geral da União. Afinal, tomou a decisão com base em um pedido do próprio Andrei Rodrigues, outro desafeto de Messias e de Mendonça. Entre as principais críticas que Dino faz a Mendonça na decisão de hoje, vale destacar: •Decidir em causa própria: “Compreende-se que o digno Ministro André Mendonça tenha suas divergências funcionais ou pessoais com a Polícia Federal e possa defender seus direitos perante a instância própria. Mas tais direitos — inerentes a qualquer parte que se sinta prejudicada — não podem converter-se em fundamento para a prolação de decisão em causa própria, com o efeito de paralisar investigações e os trabalhos policiais”. •Usurpar a competência do Plenário: “Ou seja, caso o Exmo. Ministro André Mendonça, parte no procedimento instaurado pelo Presidente, considere que há um direito subjetivo em risco, é ao Presidente ou ao Plenário que deve se dirigir, sob pena de grave usurpação das atribuições dos demais Ministro”. •Interferir indevidamente nas investigações da PF: “No caso, este Relator se vê diante da situação em que outro Ministro da Corte determinou a paralisação da produção de relatórios de inteligência da Polícia Federal, medida inédita na história da corporação. Como consequência, procedimentos urgentes, sob a condução deste Relator, veem-se prejudicados por essa interferência nos trabalhos policiais”. •Atuação indevida na fase de investigação e atendendo petição ilegítima: “Como o magistrado, no caso em análise, apreciou petição de órgão partidário (Partido Novo) absolutamente ilegítima para formular pedido de medida cautelar penal, tem-se hipótese em que, na prática, o juiz agiu de modo indevido na fase da investigação”. Dino ainda destaca, na peça, que Mendonça se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro e outros investigados pela Polícia Federal, o que na prática levanta suspeitas sobre as motivações do seu colega. "Mais grave se torna essa interferência na esfera de competências de outros Ministros e do próprio Plenário do STF quando, recentemente, veio a lume a informação de que o Ministro André Mendonça teria recebido, para reunião nas dependências de uma empresa privada, o Sr. Daniel Vorcaro, investigado em autos de sua própria competência. Segundo noticiado, essa reunião teria ocorrido, inclusive, por intermediação de outros agentes que figuram em investigações em curso no Poder Judiciário".
Com decisão a favor de chefe da PF e reprimenda pública a Mendonça, Dino reforça pressão sobre Fachin
Presidente do STF tinha dado 72 horas para relator do caso Master se pronunciar e já era alvo de críticas de integrantes do governo e de membros da própria Corte










