Relator do caso Master confirmou o encontro com Vorcaro no seu instituto, antes de assumir inquérito, mas disse que se 'limitou' a ouvir banqueiro sobre processo que envolvia precatórios 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sessão Plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino e André Mendonça — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, destacou na sua decisão que reintegrou Andrei Rodrigues à direção-geral da Polícia Federal a informação sobre um encontro realizado entre André Mendonça e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. No documento, Dino afirma que a revelação do encontro aumentava a gravidade da decisão que Mendonça proferiu nesta terça-feira afastando a cúpula da PF. "Mais grave se torna essa interferência na esfera de competências de outros Ministros e do próprio Plenário do STF quando, recentemente, veio a lume a informação de que o Ministro André Mendonça teria recebido, para reunião nas dependências de uma empresa privada, o Sr. Daniel Vorcaro, investigado em autos de sua própria competência. Segundo noticiado, essa reunião teria ocorrido, inclusive, por intermediação de outros agentes que figuram em investigações em curso no Poder Judiciário", escreveu Dino. O encontro foi revelado pelo portal "ICL". Segundo mensagens, o advogado Ciro Rocha Soares enviou a Vorcaro uma mensagem dizendo que levou Mendonça a a um alfaiate em São Paulo. Em outras mensagens ao banqueiro, o advogado tratou de um possível encontro com o magistrado. “Opa, Dani!!! Preciso muito falar com você. O A.M. quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes”, escreveu o advogado a Vorcaro no dia 7 de fevereiro de 2025. Em outra mensagem, acrescentou: “Muito importante sua ida nele junto comigo”. Em outra mensagem divulgada pelo portal, o deputado Cezinha de Madureira, em março do ano passado, diz a Vorcaro que marcou uma reunião com Mendonça em São Paulo. “Amanhã sexta-feira 17:00 com ministro André em São Paulo”, registra o texto. No dia do encontro, Cezinha enviou uma mensagem dizendo que o ministro do STF já estava no local combinado. “Ministro já está te esperando”, disse. O ministro disse em nota ter se reunido com o banqueiro Daniel Vorcaro uma vez, em março de 2025. O encontro teria ocorrido no Iter, instituto fundado por Mendonça e do qual ele se desvinculou após o encontro ter vindo à tona. Em nota, o gabinete de Mendonça afirmou que o encontro tratou de uma ação que "discutia créditos de precatórios de interesse do banco, mas que se encontrava, na exata data da reunião, com pedido de vista de outro ministro". O ministro diz que se "limitou" a ouvir Vorcaro. O encontro ocorreu antes de Mendonça virar relator do caso Master na Corte, o que ocorreu em fevereiro de 2026. "O ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro", escreveu o gabinete. Entenda o caso Dino determinou nesta quarta-feira a volta de Andrei à direção-geral da PF após a decisão de Mendonça que havia determinado o afastamento. Dino justifica a decisão para evitar "danos irreparáveis" a processos que estão sob a relatoria dele. O despacho também ordena que o delegado Leandro Almada retome o posto de diretor de Inteligência da corporação. A decisão que fica valendo é a de Dino, por ser posterior. "Com o objetivo de impedir a produção de danos irrepáráveis a processos submetidos à minha relatoria, defiro a tutela provisória para determinar ao Exmo presidente da República, autoridade competente para nomeação do diretor-geral da Polícia Federal, que assegure a imediata reintegração de Andrei Augusto Passos Rodrigues", escreveu Dino. A Segunda Turma do Supremo Tribunal (STF) chegou a formar maioria na terça-feira para manter a decisão de Mendonça que determinou o afastamento de Andrei. O ministro Gilmar Mendes, no entanto, pediu vista e interrompeu a análise no plenário virtual. Agora, no entanto, fica valendo a decisão de Dino. Mendonça afirmou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático” e ilegal realizado pela área de inteligência da Polícia Federal por mais de um mês. O magistrado listou seis relatórios produzidos entre os dias 3 e 31 de agosto com análises sobre sua atuação e sobre sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. O caso citado pelo ministro veio à tona na semana passada, em decisão de Moraes. O ministro afirmou em decisão ter conhecimento de relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontavam possíveis irregularidades na conduta de Mendonça na condução das investigações sobre as fraudes no Master e no INSS. Moraes tomou a decisão após Mendonça retirar o sigilo de um outro documento feito pela PF, relatando as mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Com base nesses relatórios, que não têm assinatura nem brasão oficial da PF, Moraes pediu uma investigação sobre Mendonça e apontou indícios de crime de responsabilidade, abuso de poder e improbidade administrativa. Os relatórios trazem a suspeita de que Mendonça pode ter interferido indevidamente na Polícia Federal e direcionado delações premiadas, o que, de acordo com os textos, pode ter ocorrido por interesses políticos. Moraes não determinou a elaboração dos relatórios, mas afirmou na decisão que ordenou o envio "em virtude da notícia da existência" deles, sem revelar como soube. A decisão diz que a PF deve mandar os documentos que "contenham citação a nomes dos membros dessa Suprema Corte". Mendonça, por sua vez, sustentou em decisão nesta terça-feira que o material revela a realização de “monitoramento e coleta dirigida” tanto sobre ele quanto sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias, que também é citado nos relatórios de inteligência. Para Mendonça, a prática configura um “monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país”.
Dino cita encontro de Mendonça com Vorcaro ao determinar volta de chefe da PF e chama decisão de 'interferência' sobre plenário do STF
Relator do caso Master confirmou o encontro com Vorcaro no seu instituto, antes de assumir inquérito, mas disse que se 'limitou' a ouvir banqueiro sobre processo que envolvia precatórios










