Supremo está envolto em uma crise inédita 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Após Fachin defender fim do inquérito das fake news, Dino critica promessas ‘para receber aplausos’ — Foto: Rosinei Courinho/STF O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse neste domingo (6) que julgadores que prometem o fim de inquéritos atuam como se fossem candidatos ou em busca de “aplausos”. A declaração ocorre dias depois de Edson Fachin, presidente do STF, defender o fim do inquérito das fake news, relatado por Alexandre de Moraes desde 2019 e alvo de questionamentos por sua duração. “É possível a um julgador, qualquer seja ele, ‘prometer’ o final de um inquérito, como se fosse um candidato ou para receber aplausos?”, questionou em publicação feita no Instagram. Ele não citou o ministro Fachin. “Quem decide o que é ‘tramitação longa'? Opiniões pessoais? Ou critérios legais e regimentais? Insisto em um ponto: institucionalidade é um assunto muito sério para ser embaralhado com interesses eleitorais ou com mentiras. A propósito, lembro o ensinamento cristão: o diabo é o ‘pai da mentira’", prosseguiu o ministro. Dino começa a publicação afirmando que problemas graves estão “sendo misturados” com interesses eleitorais e econômicos, objetivos estrangeiros e até “ódios pessoais”. Ele defendeu a Corte de críticas sobre decisões monocráticas e que questionam a jurisdição penal do Supremo. “Se todas as questões com jurisprudência definida tiverem que ir aos colegiados, o número de julgamentos vai desabar e a morosidade vai aumentar. Isso seria bom para os criminosos, devedores contumazes e similares.” Na sexta-feira (4), Fachin defendeu a implementação de um código de ética e o fim do inquérito das fake news. A declaração foi feita depois de Moraes se valer do inquérito para pedir a investigação de André Mendonça por abuso de autoridade. “Os acontecimentos recentes demonstram o acerto e a urgência de três metas de nossa gestão: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça”, disse Fachin em evento no Palácio do Planalto. Na terça (1º), Mendonça tirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que citava mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, enviadas a um contato atribuído a Moraes. Nelas, Vorcaro buscava interferir e ter informações sobre apurações sigilosas que acabariam levando à prisão do ex-banqueiro em novembro do ano passado. Desde então, a Corte está envolta em uma crise inédita e em disputas envolvendo Moraes e Mendonça. Na quinta (3), após o relatório da PF ficar público, Moraes pediu a investigação do colega por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.