Segundo reportagens, o Banco Master teria patrocinado um fórum jurídico em Londres que reuniu Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, com degustação de whisky Macallan em um clube privado. Em março de 2025, antes de assumir a relatoria do caso, André Mendonça também recebeu Vorcaro em uma reunião reservada para tratar de precatórios de interesse do banco.

Além desses encontros, Vorcaro teria aprovado cartões de R$ 300 mil para dois filhos de Moraes, feito aportes em um fundo ligado a um resort do qual uma empresa da família de Toffoli fora sócia e repassado recursos a um fundo associado a "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro cujo financiamento teria sido negociado por Flávio Bolsonaro. O escritório da família Moraes afirma que os cartões não foram utilizados, enquanto Toffoli nega ter recebido recursos.

Os episódios seguem sob apuração, mas suscitam a dúvida: por que quem já tem dinheiro e poder continua buscando privilégios com tão pouco receio de que isso venha a público?

Parte da resposta está na comparação social: mesmo quem já é muito rico tende a medir sua posição em relação às pessoas de seu meio, não em relação ao país inteiro. Em um experimento na Finlândia, descobrir que ganhavam mais ou menos do que pessoas da mesma ocupação, escolaridade, idade ou município mudou a forma como os participantes avaliavam a própria renda. Já a posição na distribuição nacional teve um efeito dez vezes menor e estatisticamente nulo. Quando puderam escolher, 45% quiseram conhecer sua posição em relação aos colegas de profissão, enquanto menos de 6% optaram pela comparação nacional, segundo um estudo de Xiaogeng Xu e outros pesquisadores.