Na teia de relações de Daniel Vorcaro em Brasília, havia nomes dos três Poderes, com pesos muito diferentes na história. Guilherme Derrite talvez passasse batido se não tivesse pedido à Justiça a retirada de uma publicação do Estadão sobre sua presença nessa rede. A liminar foi negada pela 8ª Vara Cível de Brasília, que viu risco de censura prévia. Ao tentar apagar a menção, Derrite produziu uma nova informação: não apenas aparecia no mapeamento, mas tentava impedir que essa aparição ganhasse destaque.
O que era apenas mais um numa longa lista de nomes, ganhou alguma atenção por sua própria ação. Esse é o efeito Streisand, expressão nascida quando Barbra Streisand tentou tirar da internet uma foto aérea de sua casa em Malibu. A imagem que quase não circulava virou curiosidade global por causa da própria ação judicial. A política às vezes tem essa delicadeza de rinoceronte: tenta pisar no assunto e deixa pegadas maiores.
É claro que, uma vez que jornais podem cometer erros, pessoas públicas têm o direito de contestar reportagens, pedir correções e até recorrer à Justiça. Há, porém, diferença entre disputar uma informação e tentar fazê-la desaparecer. Ainda, outro episódio ligado ao entorno de Vorcaro já havia levado essa disputa à Folha. Em janeiro, um juiz do Amazonas determinou a retirada de uma reportagem sobre a atuação de um diretor do Incra em um projeto de créditos de carbono ligado a parentes do banqueiro, além de proibir novas publicações que associam o diretor ao caso. Em março, Cármen Lúcia suspendeu a liminar e afirmou que a censura determinada pelo Judiciário é "mais grave e afrontosa aos direitos fundamentais".







