As conversas entre Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que vieram a público na última semana a partir de mensagens obtidas pela Polícia Federal, expõem um escandaloso caso de intimidação de jornalistas. No centro dele estava a tentativa de neutralizar Malu Gaspar, que seguia trazendo à luz aspectos centrais do escândalo do Banco Master. O banqueiro mandou vasculhar sua vida privada, suas finanças e a vida de seus familiares. Como nada encontraram que a desabonasse, conceberam uma proposta milionária para silenciá-la. No caso de Lauro Jardim, reportagens anteriores mostraram que se cogitou até violência física.

Esses fatos clandestinos, ocorridos no início do ano passado e conhecidos só agora, lançam nova luz sobre um evento público do primeiro quadrimestre deste ano: a operação de destruição reputacional de Malu Gaspar promovida por jornalistas militantes e veículos alternativos do meio digital, depois ampliada por um ecossistema de comunicação política composto por influenciadores, juristas, políticos, canais e páginas militantes.

O que hoje se vê com mais clareza é que um aparelho clandestino de coação, vigilância e compra de influência encontrou, um ano depois, nas redes, um ambiente já predisposto, por razões próprias, a atacar os jornalistas que investigavam o banqueiro. Vorcaro, portanto, não precisou encomendar toda a campanha.