0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Congresso Nacional, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo A semana de esforço concentrado no Senado terminou de forma insuficiente para os planos do governo. A ambição era bem maior, principalmente em relação à aprovação da proposta de redução da jornada de trabalho de 6x1 para 5x2. A medida seria um trunfo eleitoral. O governo imaginava que colocaria a oposição no corner, porque votar contra a proposta poderia ser impopular e custar votos. A expectativa era de que os senadores acabariam constrangidos a aprovar a PEC e que o resultado seria contundente, como o obtido na Câmara dos Deputados, onde a proposta recebeu 461 votos favoráveis e apenas 19 contrários. Mas não foi o que aconteceu. A PEC, relatada por um senador ligado ao governo, Omar Aziz, não sofreu alterações — uma estratégia para evitar que precisasse voltar à Câmara. O texto foi aprovado na CCJ, com previsão de votação no plenário no mesmo dia, na quarta-feira. Mas isso não aconteceu. Uma grande crise eclodiu em Brasília, criando uma névoa de confusão, e os senadores da oposição se aproveitaram para esvaziar o plenário e impedir que houvesse quórum para a votação. No fim, a PEC não foi aprovada e a oposição não teve um custo político significativo, já que seus senadores não precisaram votar contra a proposta: apenas inviabilizaram a votação. Foi assim que o episódio também foi interpretado pelo senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que havia feito um acordo com o presidente Lula para votar, nesse período, matérias de interesse do governo. Alcolumbre pode dizer que tentou, mas não conseguiu. Governo não zerou fila do INSS, mas melhorou eficiência. Entenda A PEC da Segurança também não foi votada. Junto com a mudança da jornada de trabalho, eram os dois temas com maior apelo eleitoral. O governo, no entanto, não saiu de mãos abanando desta semana. Conseguiu a aprovação do marco regulatório das terras raras, um assunto sem grande visibilidade popular, mas que preenche uma lacuna da legislação brasileira sobre esses minerais estratégicos. E obteve também a aprovação do projeto que põe fim à chamada “taxa das blusinhas”. Vale lembrar que esse foi um problema que o próprio governo criou para si: implementou a cobrança e, agora, votou a revogação da medida que ele mesmo havia proposto. Por isso, a iniciativa também não tem grande apelo eleitoral. O fato é que o governo saiu da semana de esforço concentrado do Congresso sem as medidas que poderiam lhe render dividendos eleitorais. A votação sobre o fim da jornada 6x1 ficou para depois das eleições. A questão agora é saber quando essa apreciação ocorrerá: depois das eleições para o Senado, entre o primeiro e o segundo turno ou somente após o fim de todo o processo eleitoral. De qualquer maneira, senadores que não forem reeleitos, assim como aqueles da oposição que já estiverem eleitos não poderão mais ser constrangidos a votar a favor da medida. A implementação da jornada 5x2 ficou muito mais incerta. O presidente Lula poderá dizer na sua campanha que tentou aprovar a proposta, mas também não poderá falar muito mais do que isso.
Governo não aprova no Congresso temas-chave para a eleição, mas não sai de mãos vazias
Governo não aprova no Congresso temas-chave para a eleição, mas não sai de mãos vazias











