Pesquisa aponta de 62,5% dos plataformizados dependiam de apenas uma ferramenta para trabalhar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Motoristas por aplicativo têm grande dependência da plataforma para receber valor das corridas — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil A pesquisa Trabalho por Meio de Plataformas Digitais (2025), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostrou que, no ano passado, 62,5% dos 1,8 milhão de trabalhadores plataformizados no emprego principal no país dependiam de apenas um aplicativo para exercer a profissão. O levantamento mostra que 38,8% dos plataformizados só trabalhavam desta maneira e utilizavam apenas um aplicativo, enquanto 23,6% também usavam um único aplicativo, mas tinham outro trabalho fora das plataformas. O IBGE apurou ainda que 23,9% dos plataformizados usavam dois ou mais aplicativos, mas só trabalhavam com ferramentas digitais e 13,6% tinham mais independência, pois usavam mais de um aplicativo e tinha um trabalho fora das plataformas. LEIA MAIS: "A pesquisa mostra autonomia e controles limitados em relação a alguns aspectos dos trabalhos das pessoas. Mesmo sendo muitas vezes conta própria, em vários aspectos era a plataforma quem determinava", diz Gustavo Geaquinto, analista do IBGE responsável pela pesquisa. O IBGE também analisou o tipo da dependência dos trabalhadores em relação à plataforma. Entre os motoristas de aplicativo não-taxistas, 80,2% dependiam totalmente da ferramenta digital utilizada em relação ao valor a ser recebido por cada tarefa, percentual que chegava a 78,3% entre os entregadores por aplicativo. No caso desses últimos, a plataforma também tinha grande ingerência em definir quais clientes seriam atendidos e na forma como o pagamento seria recebido, com impacto, respectivamente, em 70,8% e 71,3% dos trabalhadores. "Para todos os aspectos pesquisados, os trabalhadores de aplicativos de transporte de passageiros e os entregadores em aplicativos de entrega, em média, revelaram os maiores graus de dependência em relação à plataforma", disse Geaquinto, lembrando o menor controle aconteceu entre aqueles que utilizavam a plataforma para prestação de serviços gerais ou profissionais. Para ele, os dados revelam autonomia e controle limitado em relação a alguns aspectos relativos ao exercício do próprio trabalho. A pesquisa também analisou a influência dos aplicativos na determinação da jornada em um cenário em que a flexibilidade de horário é a principal razão de atração de trabalhadores para este tipo de atividade. Como notou-se que os trabalhadores de aplicativo tinham, em média, jornadas maiores que os não-plataformizados, a Pnad Contínua investigou diferentes estratégias potencialmente empregadas pelas plataformas digitais de trabalho que, em certa medida, poderiam influenciar a jornada de trabalho. A escolha de dias e horários de forma independente era realidade para 81,1% dos motoristas por aplicativo exclusive os taxistas; para 72,6% dos taxistas por aplicativo; e para 71,5% dos entregadores. Em nota, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) – que reúne empresas como Uber, 99, iFood e Amazon – contestou algumas informações da pesquisa, especialmente no que se refere ao trabalho por aplicativos como complemento de renda. Pelos dados do IBGE, quase dois milhões (1,959 milhão) trabalhavam por meio de aplicativos de serviços no Brasil em 2025, dos quais 92,1% do total (1,8 milhão de pessoas) têm nesta atividade seu trabalho principal ou único e o restante (182 mil pessoas) o exerciam como atividade secundária. A Amobitec cita pesquisa do Centro Brasileiro de de Análise e Planejamento (Cebrap) – encomendada pela própria associação – que aponta que 42% dos motoristas e 46% dos entregadores utilizam os apps junto a outras atividades remuneradas. Outra pesquisa citada, do Instituto Datafolha, identificou que 58% dispõem de outra fonte de renda além dos aplicativos.
Maior parte dos trabalhadores por plataformas digitais depende de um único aplicativo, diz IBGE
Pesquisa aponta de 62,5% dos plataformizados dependiam de apenas uma ferramenta para trabalhar











