Entre motoristas de moto que não trabalham por plataformas, percentual de contribuintes sobe para 37,1%, aponta pesquisa do IBGE. Categoria está mais exposta a acidentes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Agência do INSS na Praça da Bandeira, Zona Norte do Rio — Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo/ 30/03/2022 O trabalho por aplicativo tem crescido entre motociclistas, mas o amparo previdenciário desse grupo não avança na mesma velocidade. Em 2025, apenas 19,4% dos condutores de motocicletas que trabalhavam por meio de plataformas digitais contribuíam para a Previdência. Entre os motociclistas que não utilizavam aplicativos, mas que exerciam essa atividade profissionalmente, a proporção subia para 37,1%, quase o dobro. Os dados são da pesquisa sobre trabalho por meio de plataformas digitais, divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE. O levantamento, feito em conjunto com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho, permite traçar um retrato de quem utiliza aplicativos para obter sustento no país. No total, menos de um terço (31%) do 1,2 milhão de condutores de motos no país contribuíam para a Previdência. Mas a parcela entre os que trabalham via plataformas, além de ser menor, chegou a cair 2,2 pontos percentuais em relação a 2024, enquanto entre os não plataformizados houve aumento de 0,8 ponto no mesmo período. O próprio IBGE chama atenção para a situação. Segundo o instituto, uma pequena parcela dos condutores que trabalham por plataformas, sejam motoristas de carros ou motos, tinha acesso à seguridade social, embora esteja sujeita, no exercício da profissão, a acidentes e outros riscos relacionados à atividade. Para Janaína Feijó, pesquisadora de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), trata-se de um vínculo ainda muito vulnerável. Quem começa a trabalhar como motorista de aplicativo geralmente não planeja ficar ali por muito tempo e, por isso, não se inscreve no microempreendedor individual (MEI), abrindo mão de proteções básicas como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade. — É um vínculo ainda com alto grau de vulnerabilidade. Muitos focam no curto prazo, para resolver o problema do dia a dia diante do aumento do custo de vida, e não pensam nos benefícios de se inscrever no MEI a longo prazo. Isso é preocupante, porque acabamos de passar por uma reforma trabalhista que não previa essa modalidade de trabalho, e nada foi feito para corrigir essa lacuna. O ideal seria uma reforma estrutural que incorporasse essa realidade, que veio para ficar. Outro fator que ajuda a explicar a baixa contribuição é o desconhecimento, explica a economista. Muitos trabalhadores não sabem que o MEI garante auxílio-doença e salário-maternidade, ou que conta como tempo de contribuição para a aposentadoria, mesmo custando cerca de R$ 55 por mês. Segundo ela, esse contingente desprotegido tende a crescer ainda mais se a economia não conseguir gerar empregos de qualidade e com remuneração mais alta. Número de motociclistas de app quase dobra em três anos O trabalho por aplicativo ganhou espaço entre os motociclistas nos últimos anos. Em 2025, o país tinha 405 mil condutores de motocicletas que trabalhavam por meio de plataformas, pouco mais de um terço do total (34,4%). Os outros 774 mil (65,6%) não usavam aplicativos. Em apenas um ano, de 2024 para 2025, esse contingente cresceu 15,4%. Entre os demais motociclistas, o avanço foi de 10,9%. A diferença é ainda maior quando se olha para um período mais longo. Desde 2022, o número de motociclistas que trabalham por aplicativos aumentou 91,9%, passando de 211 mil para 405 mil. Ou seja, quase dobrou em três anos. Já entre aqueles que não usam plataformas, o crescimento foi de apenas 3,1%, de 751 mil para 774 mil. Cobertura menor também entre motoristas de carro A baixa cobertura previdenciária também aparece entre os motoristas de automóveis que trabalham por aplicativos. Em 2025, apenas um quarto deles (25,5%) contribuíam para o instituto de Previdência. Entre os demais motoristas, a proporção era de 59,2%. Considerando todos os condutores de automóveis, com ou sem aplicativo no país, 43,8% contribuíam para a Previdência. A taxa também ficava abaixo da média dos trabalhadores do setor privado, de 62,4%. Além da menor proteção previdenciária, os motoristas de aplicativos tem jornadas mais longas. Embora o rendimento médio mensal seja ligeiramente superior ao dos demais condutores, o valor recebido por hora é menor, segundo a pesquisa.