Cobertura previdenciária é ainda menor entre aqueles que são motoristas de carros ou motociclistas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Apenas um a cada cinco motociclistas que trabalha por aplicativos de serviços contribui para previdência — Foto: Bruno Peres/Agência Brasil Do total dos trabalhadores por plataformas digitais no Brasil, apenas 34% contribuem para algum instituto de previdência, enquanto nos demais trabalhadores é de 63%. Na média das pessoas ocupadas, essa fatia é de 62,4%. LEIA MAIS: Quando se considera os condutores de automóveis e de motocicletas – mais expostos a acidentes ou outros riscos relacionados à ocupação –, a cobertura previdenciária de quem trabalha através de aplicativos é ainda menor: 25,5% e 19,4%, respectivamente. Esse nível também é inferior ao de trabalhadores que exercem ocupações similares a esses condutores: 43,8% e 31%, em igual base de comparação. As informações são parte da pesquisa Trabalho por Meio de Plataformas Digitais (2025), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. “Apenas 34% dos plataformizados [trabalhadores por plataforma digitais] contribuem para previdência. É muito pouco. Praticamente dois terços dos trabalhadores plataformizados não estavam cobertos por previdência. É uma diferença substancial entre os grupos”, afirmou o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, responsável pela pesquisa. A cobertura de previdência garante não apenas o direito à aposentadoria, mas a benefícios como o auxílio-doença. Estatísticas do Ministério da Saúde mostram aumento das internações nos hospitais públicos por causa de acidentes com motocicletas, enquanto o Atlas da Violência mostra crescimento no número de mortes no trânsito brasileiro. As motocicletas são hoje as principais responsáveis por essas mortes, com mais de 40% dos casos para a maioria dos estados brasileiros. Os autores do levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam a influência do trabalho nos aplicativos de transporte nesse contexto. A pesquisa do IBGE aponta ainda ampla distância do nível de informalidade. Em 2025, 43,3% das pessoas ocupadas no setor privado foram classificadas como informais. Entre os trabalhadores por aplicativo, o grau de informalidade era de 72,1%, percentual bastante acima do registrado para os demais trabalhadores do setor privado (42,7%), resultando em uma diferença de 29,4 pontos percentuais na taxa de informalidade entre esses dois grupos. Em nota, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) – que reúne empresas como Uber, 99, iFood e Amazon – contestou algumas informações da pesquisa, especialmente no que se refere ao trabalho por aplicativos como complemento de renda. Pelos dados do IBGE, quase dois milhões (1,959 milhão) trabalhavam por meio de aplicativos de serviços no Brasil em 2025, dos quais 92,1% do total (1,8 milhão de pessoas) têm nesta atividade seu trabalho principal ou único e o restante (182 mil pessoas) o exerciam como atividade secundária. A Amobitec cita pesquisa do Centro Brasileiro de de Análise e Planejamento (Cebrap) – encomendada pela própria associação – que aponta que 42% dos motoristas e 46% dos entregadores utilizam os apps junto a outras atividades remuneradas. Outra pesquisa citada, do Instituto Datafolha, identificou que 58% dispõem de outra fonte de renda além dos aplicativos.