04/09/2026 10h03 Atualizado há 5 dias
A crise das bebidas falsificadas e adulteradas com metanol, que resultou em 25 mortes confirmadas em 2025, deixou o país perplexo e escancarou a necessidade de reforçar o combate a esse tipo de crime. Embora a venda de produtos falsificados e adulterados represente grave ameaça à saúde pública, a repressão à produção e ao comércio de produtos ilegais ainda é um desafio que exige integração entre governos e setor produtivo, destacaram os participantes do Seminário Mercado Ilegal.
A pirataria de bebidas ultrapassa a fraude comercial e o crime pode se transformar em grave problema sanitário, colocando vidas em risco. Em 2025, segundo o Ministério da Saúde, foram 76 casos de intoxicação por metanol associados ao consumo de bebidas alcoólicas, 25 deles fatais.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), José Eduardo Cidade, 28% do volume de destilados comercializados no Brasil apresenta algum tipo de ilicitude, incluindo sonegação fiscal, contrabando, descaminho, produção sem registro e falsificação. Esta última representa uma parcela menor do mercado ilegal, mas está entre os crimes de maior risco à população.
“A falsificação representa 4,7% desses produtos, mas a crise do metanol trouxe uma referência muito especial a isso. O falsificador usa o etanol combustível: um litro de álcool faz três litros de destilado. Na crise do metanol, misturaram metanol ao etanol e isso foi para a bebida, causando mortes e cegueira”, destacou Cidade, em painel mediado por Brunno Mello, da rádio CBN. Cidade também apontou a perda de arrecadação no setor provocada pelo mercado ilegal, estimada em R$ 28 bilhões em 2024. O valor equivale a cerca de 13% das despesas da União com ações e serviços públicos de saúde naquele ano.










