04/09/2026 10h01 Atualizado há 5 dias
O valor das apreensões de medicamentos emagrecedores pela Receita Federal passou de R$ 4 milhões, no primeiro semestre de 2025, para mais de R$ 80 milhões no mesmo período deste ano. O salto é um retrato de como a economia ilegal, originada no descaminho e no contrabando, se diversificou e avançou sobre produtos diretamente ligados à saúde do consumidor.
Mercadorias contrabandeadas, falsificadas ou comercializadas sem autorização - de canetas emagrecedoras a combustíveis, defensivos agrícolas, cigarros e smartphones - passaram a fazer parte do cotidiano da população. No Seminário Mercado Ilegal, realizado em 27 de agosto em Brasília, representantes do setor produtivo, do governo e especialistas debateram a disseminação das práticas ilícitas, suas consequências e as alternativas de enfrentamento.
O presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Vismona, afirmou que o prejuízo provocado pelo comércio ilegal de 15 de tipos de produtos acompanhados pela entidade passou de R$ 100 bilhões, em 2014, para R$ 473 bilhões no ano passado. Desse total, R$ 146 bilhões correspondem a tributos que deixaram de ser arrecadados.
Para Vismona, os números revelam uma mudança na natureza da ilegalidade. O país já não enfrentaria apenas crimes econômicos isolados, mas um “sistema econômico criminoso, articulado”, com capacidade de financiar outras atividades ilícitas e afetar empresas que atuam dentro da lei.











