Newsletter semanal com colunistas do GLOBO fala dos efeitos das investigações envolvendo o banqueiro e da ascensão do candidato do Avante nas pesquisas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Colunistas do GLOBO respondem sobre temas eleitorais na nova newsletter 'A pergunta da semana' — Foto: Editoria de Arte Dois fatos de ordem distintas marcaram a semana política brasileira. No campo iminentemente eleitoral, Augusto Cury (Avante) viu sua candidatura à Presidência da República dar um salto repentino e já aparece atrás apenas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O escritor somou 10% das intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, oito pontos a mais do que no levantamento anterior. Outro evento, porém — também com possíveis desdobramentos nas urnas —, roubou as manchetes: a revelação de conversas inéditas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mostrando que o dono do Master recorreu diversas vezes ao magistrado enquanto já era investigado. Os novos desdobramentos do escândalo levaram Lula a tentar se afastar politicamente de Moraes. Enquanto isso, uma reportagem da revista Piauí revelou um relatório do Coaf no qual consta que Vorcaro repassou US$ 1,6 milhão ao fundo que administrava o dinheiro do filme "Dark horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro, meses depois do que Flávio havia apontado como o último pagamento do banqueiro, contradizendo a versão apresentada pelo senador. Mas afinal, de Vorcaro e Moraes ao "Dark horse", os ecos do Master podem favorecer a "onda" Augusto Cury? Esse é o questionamento de hoje da newsletter "Pergunta da semana", na qual jornalistas do GLOBO focados na cobertura política respondem, sempre às quintas-feiras, as principais dúvidas que emergem na disputa eleitoral. Nesta edição, analisam o tema os colunistas Pablo Ortellado, Bela Megale e Lauro Jardim, além do editor de Política, Thiago Prado. Confira! A se julgar pelo passado, o eleitorado de Augusto Cury parece ser o mesmo que busca uma alternativa à polarização — o eleitorado que já votou em Marina, Ciro e Tebet. Nas últimas eleições presidenciais, ele tem oscilado em torno de 10% no primeiro turno, o que significaria que Cury está perto do seu teto. A crise do Master, que afeta Lula e Flávio, pode empurrar Cury um pouco mais, mas não acredito que ele suba muito. Com propostas no mínimo inusitadas, como nomear influenciadores para embaixadas, o escritor Augusto Cury ultrapassou nomes consolidados da política brasileira e ocupa o terceiro lugar nas pesquisas. O avanço do caso “Dark Horse”, com uma delação premiada firmada, deve trazer novos efeitos para Flávio Bolsonaro, assim como os diálogos entre Vorcaro e Moraes podem respingar negativamente na campanha de Lula. Isso faz com que, mesmo sem propostas consistentes, Cury surja na onda antipolítica e ganhe espaço como uma terceira via, cuja única bandeira é não ser nem Lula nem Bolsonaro. Quanto maior o desgaste de Flávio Bolsonaro, do Lula e do “sistema”, mais ainda um outsider da política em ascensão pode ser beneficiado. Mas é preciso entender se a “onda Cury” é um "voo de galinha" ou se tem solidez. É necessário, por exemplo, ver como sua candidatura reagirá aos ataques que obrigatoriamente surgirão de todos os lados. Suas fragilidades — de propostas e de apoios — devem ficar mais evidentes agora que ele virou um personagem de fato da disputa. Já favoreceu. Há uma parte do eleitorado cansada com as brigas da política e os escândalos de corrupção. Sem ser raivoso, Cury surfou nessa onda que busca alguma novidade fora da polarização e conseguiu se destacar no que venho chamando de "troféu terceiro lugar". Para brigar pelo segundo turno, contudo, há ainda um improvável caminho. Não conhecemos o teto do escritor, mas sabemos que os pisos de Lula e Flávio são muito altos.
'Pergunta da semana': De Vorcaro e Moraes ao 'Dark horse', os ecos do Master podem favorecer a 'onda' Augusto Cury?
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