Newsletter semanal com colunistas do GLOBO aborda como o início da campanha na televisão e na rádio pode impactar a disputa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Colunistas do GLOBO respondem sobre temas eleitorais na nova newsletter 'A pergunta da semana' — Foto: Editoria de Arte Se em um passado não tão distante a televisão era o principal espaço disputado pelos candidatos, em especial aqueles que precisavam de abrangência nacional na corrida pela Presidência da República, as redes sociais embaralharam o cenário com textos, áudios e vídeos que circulam quase que de forma ininterrupta entre os eleitores. Ainda assim, a propaganda gratuita na TV e no rádio, que começa nesta sexta-feira, está longe de ser desprezível: cada bloco destinado aos presidenciáveis terá 12 minutos e 30 segundos, divididos entre Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) de acordo com a representação de cada coligação no Congresso, além das inserções exibidas ao longo do dia. Mas a propaganda gratuita na TV ainda tem o potencial de ser decisiva nas eleições presidenciais? Esse é o questionamento de hoje da newsletter "Pergunta da semana", na qual jornalistas do GLOBO focados na cobertura política respondem, sempre às quintas-feiras, as principais dúvidas que emergem na disputa eleitoral. Nesta edição, analisam o tema os colunistas Míriam Leitão, Mauricio Moura e Renato Meirelles, além do editor de Política, Thiago Prado. Para receber a newsletter semanalmente, o leitor pode fazer a inscrição no site do GLOBO. Assim, passa a receber os textos diretamente por e-mail. O envio acontecerá semanalmente, sempre às quintas, entre o fim da tarde e o início da noite. Confira! Hoje é difícil dizer o que é decisivo, mas a propaganda na televisão ainda é importante. As inserções rápidas, os spots, são mais eficientes e atingem diretamente o eleitor, porém a propaganda em horário eleitoral também é relevante. Primeiro porque 38% das mulheres e 30% dos homens se informam principalmente pela TV, segundo a pesquisa Quaest de 14 de agosto. Segundo porque, dos filmes e peças preparadas para o horário eleitoral, podem sair conteúdo e recortes para as redes sociais. E isso amplia seu alcance. Acredito que o horário eleitoral e as inserções serão decisivos nas eleições presidenciais. O público que deve definir as eleições, aquele grupo que votou em Jair Bolsonaro em 2018 e em Lula em 2022, acompanha bastante política por rádio e TV. Acredito serem 3% do eleitorado, de classe C, com 2 a 5 salários mínimos, concentrado nas regiões metropolitanas do Sudeste. Esse público costuma ficar fora das tribos das redes sociais. As campanhas de PT e PL terão a missão de dialogar diretamente com esses grupos, e a melhor oportunidade é o rádio e a TV. As duas campanhas terão a maioria do tempo, e o desempenho nesse ambiente será decisivo para definir as eleições. A televisão perdeu o monopólio da campanha, mas não perdeu o poder de legitimar candidaturas. As redes sociais falam muito com quem já está mobilizado, mas a televisão ainda entra na sala de milhões de brasileiros ao mesmo tempo. E há um detalhe novo: hoje, o programa eleitoral não termina quando acaba na TV. O trecho que funciona vira corte, conteúdo para WhatsApp e rede social. A televisão deixou de ser o palco único, mas continua capaz de definir quem entra no jogo. Vou contra a corrente de que a TV não tem mais relevância e que só a internet importa hoje em dia. Horário eleitoral e, especialmente, as inserções nos comerciais podem fazer a diferença, até porque tudo indica que teremos uma disputa acirrada entre Lula e Flávio. Os dois buscarão aumentar a rejeição um do outro lembrando casos de corrupção, e esse tema martelado diariamente entre telejornais, novelas e jogos de futebol até outubro pode, sim, influenciar a abstenção ou o voto dos ditos eleitores independentes.
'Pergunta da semana': A propaganda gratuita na TV ainda tem o potencial de ser decisiva nas eleições presidenciais?
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