Eleições 2026
Com a vitória de Jair Bolsonaro em 2018, ganhou força a hipótese de que as redes sociais teriam assumido o centro das campanhas eleitorais, reduzindo vertiginosamente a relevância da televisão. Para o cientista político Jorge Chaloub, no entanto, essa visão ignora a resiliência e a força estratégica do horário eleitoral gratuito na TV e no rádio.
“Uma boa parte da população não tem acesso tão fácil à internet. Outra, quando tem acesso à internet, não tem acesso a vídeo ou não tem dados suficientes para ouvir o candidato falando”, explica. Diante dessa barreira técnica, “o contato com o horário gratuito eleitoral ainda é relevante para a imagem do candidato, para o eleitor se acostumar com a voz e com a pessoa”.
Além disso, diz o professor, a televisão e as redes sociais operam de maneira integrada no marketing político — a TV produz, por exemplo, conteúdo para circular nas plataformas digitais. “Se até 2014 isso era uma evidência e depois de 2018 passou a ser menos valorizado por alguns analistas, convém olhar com atenção para o horário eleitoral.”
Diante de uma conjuntura ainda marcada pela instabilidade, ele argumenta que o xadrez eleitoral está longe de ser um algoritmo previsível. “Ainda mais em uma eleição curta, o período eleitoral tem efeitos particulares”, acrescentou. “É claro que uma eleição que não seja disputada entre Lula e Flávio Bolsonaro é muito improvável, mas não quer dizer que o jogo já esteja previsto.”













