O início da campanha eleitoral coloca gostos musicais e coreografias virais à prova nas redes sociais. Já que o algoritmo define vidas, não é raro encontrar a música que embala o candidato de direita também nas páginas de nomes da esquerda. Mesmo sendo políticos "diferentes", por que essa música passa toda hora?
Não é por falta de opção, ou fim das divergências entre as visões de mundo deles, mas por escolha mesmo daquilo que tem mais alcance.
Tirando as músicas autorais que contam a vida do candidato, e chegaram agora na disputa pelo engajamento, o que já está no hype das redes faz o eleitor de 2026 achar que vários candidatos são iguais —ou que, no mínimo, gostam das mesmas músicas.
O refrão do "a mulher" ou "o homem disparou", que em outras eleições parecia ser a única música da internet, ganhou um rival à altura que insiste em dizer "acordei, hoje é sexta-feira, assim não tem nada que me pare". Levando em consideração que o primeiro turno é sempre no primeiro domingo de outubro, serão seis sextas-feiras até lá, isso sem contar as que teriam até um eventual segundo turno. Abrir o feed nesses dias será da música que todo mundo sabe qual é.
O eleitor não é idiota. Mas o algoritmo transforma em fenômeno o conteúdo da idiotização. Entre ser didático e falar rebuscado existe um limbo de dancinhas repetidas, frases sem sentido, interações de uma porta, brincadeiras que pouco conversam com governar um país, um estado ou fazer parte do Poder que cria as leis. Executivo e Legislativo podem, plenamente, estar mais perto da sociedade sem cooperar com um conteúdo que não ajuda a pensar.










