Em sabatina, Caiado questionou a falta de experiência política do candidato do Avante 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ronaldo Caiado, candidato a presidente da República em 2026 — Foto: REUTERS/Jean Carniel O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) passou a criticar diretamente o adversário Augusto Cury (Avante), após ser ultrapassado pelo escritor nas pesquisas de intenção de voto. Em sabatina promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta quinta-feira (3), Caiado questionou a falta de experiência política de Cury e afirmou ser difícil imaginar alguém que não tenha passado pelas “etapas” de cargos eletivos na política “aprender” a governar já na Presidência da República. “Com todo respeito ao candidato Cury, que é uma pessoa respeitada, reconhecida, mas você vai ter que enfrentar um Congresso Nacional, você vai ter que ter a mesma condição de independência junto ao Supremo Tribunal Federal, à Procuradoria-Geral da República, Tribunal de Contas da União”, afirmou. Leia mais Ao ser questionado se o momento seria adequado para apostar em alguém sem experiência política, Caiado disse que “é difícil você imaginar uma pessoa que não passou por nenhuma das etapas aprender a governar na cadeira da Presidência da República diante de um quadro tão grave como este”. O movimento ocorre após Cury ultrapassar Caiado e assumir a terceira posição em levantamentos divulgados nesta semana. Na pesquisa Quaest divulgada ontem, o candidato do Avante passou de 2% para 10% das intenções de voto e alcançou a terceira colocação na disputa presidencial, enquanto Caiado foi de 4% para 1%. O candidato do PSD citou sua trajetória de 40 anos na vida pública como credencial para disputar a Presidência e mencionou sua passagem pelos cargos de deputado, senador e governador de Goiás. A posição representa uma mudança de tom em relação às declarações dadas por Caiado no início da semana, quando o avanço de Cury era tratado por ele como um sinal de que a disputa poderia abrir espaço para candidatos fora da polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na ocasião, Caiado afirmou que “a população brasileira não quer mais esse nem-nem. Nem Lula, nem Flávio” e disse acreditar que um candidato do que chamou de “segundo pelotão” chegaria ao segundo turno. O candidato do PSD, no entanto, manifestou a expectativa de que esse nome fosse o seu. Também no início da semana, Caiado já havia defendido a experiência política como um diferencial, mas sem citar diretamente Cury. Procurada pelo Valor, a campanha do candidato do Avante não retornou até a publicação desta matéria. Críticas a Moraes Durante a sabatina, Caiado voltou a defender o afastamento do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que sua permanência no cargo poderia provocar uma “insurgência” e colocar em risco a ordem democrática. Segundo Caiado, a situação poderia levar cidadãos submetidos a decisões de Moraes a questionar a legitimidade do ministro para julgá-los. “Se amanhã alguém vem diante de uma decisão dele, o cidadão diz o seguinte: ‘Não, mas ele não está capaz para me julgar, ele não tem essas credenciais para me julgar’”, afirmou. Para o candidato, esse seria o sentido da “insurgência” a que se refere: a possibilidade de que particulares passem a deixar de cumprir decisões proferidas pelo ministro por considerá-lo sem condições de exercer o cargo. “Você coloca em risco esta ordem democrática que você tem no país”, disse. No entanto, Caiado diferenciou essa hipótese de eventuais iniciativas do Senado contra Moraes. Segundo ele, a abertura de um processo de impeachment estaria dentro das prerrogativas constitucionais da Casa e, portanto, não representaria uma “insurgência”. O candidato afirmou ainda que a não renúncia ou o não afastamento do ministro provoca “uma tensão muito grande” e, em sua avaliação, “desestabiliza a democracia brasileira”. Para ele, diante das suspeitas que recaem sobre Moraes, o próprio ministro deveria deixar o cargo ou ser afastado pelos demais integrantes da Corte. Em outro momento durante a sabatina, questionado sobre a obrigatoriedade do uso ininterrupto de câmeras corporais por policiais durante o trabalho, Caiado afirmou que a adoção da medida deverá ser decidida pelos governos estaduais. “O governador que quiser usar a câmera, ele usa. Eu não vou discutir esse assunto, até porque eu já não sou mais governador. Eu vou ser presidente e cada governador vai decidir a sua política local”, afirmou. Na área econômica, o candidato disse não ser contrário à reforma tributária, mas defendeu a realização de “simulações” sobre os efeitos das novas regras em diferentes setores da economia. Segundo Caiado, representantes de segmentos como bares e restaurantes, varejo, indústria e aviação têm manifestado preocupação com o impacto das mudanças, pois, segundo ele, haverá aumento de impostos para essas categorias. “Não foi feita nenhuma simulação sobre esta parte”, afirmou. “O que eu quero é que a gente faça simulações para que estes segmentos também possam viver.”