Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema adotam caminhos diferentes para tentar avanças nas pesquisas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Debate entre presidenciáveis na Band teve a presença de Renan, Caiado e Cury — Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo A ascensão de Augusto Cury (Avante) ao terceiro lugar na corrida presidencial fez o escritor entrar na mira de adversários e levou Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) a recalibrarem estratégias. Até então, os três disputavam espaço no chamado “segundo pelotão” das pesquisas, bem distante dos líderes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). As reações, porém, seguem caminhos diferentes. Depois de se descolar dos rivais, atingindo 10% em pesquisa Quaest na semana passada e 8% no levantamento divulgado na segunda-feira (7), Cury conseguiu ofuscar presidenciáveis que há meses já estavam com campanha na rua e passou a ser visto com outros olhos. O tom geral nas candidaturas adversárias é de ceticismo sobre o desempenho do psiquiatra e professor. Segundo estrategistas, a avaliação é que ele tem um “teto” de intenções de voto e pode começar a cair, como já indicou a Quaest. Em agenda nesta terça-feira (8) na capital paulista, Cury afirmou que continua animado com a campanha e relativizou o impacto dos levantamentos, dizendo que há casos de candidatos que estavam atrás e de repente surpreenderam. "Acho que não estamos no nível do teto [nas pesquisas]", disse, ao ser questionado em entrevista coletiva. Augusto Cury em ato no 7 de Setembro no Rio — Foto: Divulgação Caiado, que vinha alcançando a terceira posição em pesquisas, em muitas delas empatado tecnicamente com Santos, chegou a direcionar críticas a Cury e questionar sua experiência na área pública. No entanto, a ordem na campanha do PSD é evitar fazer ataques diretos ao representante do Avante e manter o foco no enfrentamento a Lula e Flávio. No fim de semana, Caiado levou os casos do Banco Master e da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ao horário eleitoral na TV, buscando vincular os dois líderes da corrida aos escândalos. Há uma leitura, entre aliados do ex-governador de Goiás, de que seria possível recuperar parte dos eleitores que migraram para Cury propondo a comparação dos currículos dos dois candidatos. Estreante na política, o candidato do Avante tem declarado que, se eleito, formará um governo com especialistas e vai priorizar aspectos técnicos, e não partidários, para os ministérios. 'Pastel de vento' Renan Santos também apontou fragilidades na candidatura, como a ausência de “base militante”, e buscou associar o crescimento do adversário a “eleitores despolitizados”. O candidato do Missão adotou uma linha de ironizar o avanço de Cury, a quem chamou de “pastel de vento”. Na visão do líder do Movimento Brasil Livre (MBL), o oponente cresceu sem assumir posições contundentes, o que explicaria seus níveis inferiores de rejeição. Sob a ótica de Santos, a movimentação provocada pelo candidato do Avante foi especialmente preocupante no eleitorado jovem. As pesquisas mostraram penetração do escritor na faixa dos 16 aos 24 anos, em que o líder do Missão vinha pontuando bem. Cury evitou reagir às provocações, repetindo que pretende manter o respeito aos concorrentes e que prefere tratá-los como adversários, e não inimigos. Zema, que optou por evitar embate com Cury e chegou a dar parabéns a ele pelo salto nas pesquisas, decidiu dobrar a aposta na bandeira dos abusos de ministros do STF. De acordo com integrantes da campanha, a pauta retomou espaço diante das novas revelações, o que favoreceria o ex-governador de Minas Gerais. A expectativa é que Zema consiga se contrapor a Cury no debate sobre o Judiciário, já que o entorno do escritor definiu que, por ora, ele não deve usar a questão do STF como mote central. Embora o candidato do Avante venha defendendo investigações e dizendo que ninguém pode ser blindado, o plano agora é investir na apresentação de biografia e propostas que dialoguem com eleitores de fora da polarização.