Candidato do Avante foi o último presidenciável a participar da série, que também teve Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Augusto Cury com Milton Jung, Malu Gaspar, Maria Cristina Fernandes e Lauro Jardim na sabatina O Globo/CBN e Valor — Foto: Ana Branco / Agência O Globo Último presidenciável a participar da série de sabatinas O GLOBO, CBN e Valor, o candidato do Avante, Augusto Cury, disse que é o único a propor uma reforma séria do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma hora e meia, o escritor e psicanalista também passou por temas como a anistia aos presos pelo 8 de janeiro, segurança pública e redes sociais. As entrevistas começaram com Romeu Zema (Novo), na terça-feira, e continuaram com Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) nos últimos dias, antes de Cury. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não aceitaram o convite. Mudanças políticas e no STF Cury alegou que é o único a sugerir uma reforma de verdade no STF. Propôs o fim da vitaliciedade e mandatos de oito anos para os ministros. Questionado se é de direita ou esquerda, despistou dizendo que tem "mente capitalista", mas "coração social". Negou-se a se inserir em alguma posição específica do espectro ideológico. Na seara política, o escritor se colocou contra o "câncer da reeleição" e favorável à implementação do parlamentarismo ou do semipresidencialismo. — Tem que ter um primeiro-ministro chancelado pelo Congresso, que hoje já tem muito peso. Vivemos um parlamentarismo de fato. É um parlamentarismo de fato, mas não de direito — afirmou. — Se tem o bônus, vamos dar o ônus. Se o primeiro-ministro for impopular e corrupto, recebe uma moção de desconfiança e cai. Apesar de críticas gerais à classe política, ele fez um aceno ao Centrão, que seria "um fator de equilíbrio" que evita que o país vire "uma Venezuela". Uma vez presidente, disse Cury, deixaria o governo com apenas oito ministérios. Ele apostaria num modelo de fortalecimento de secretarias executivas na estrutura de cada pasta. Faria ainda um "pacto nacional" e chamaria “os melhores”. Além de técnicos, disse que simpatiza com políticos como o também presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), que poderia ser um “xerife” na segurança, e o governador gaúcho Eduardo Leite (PSD). Em relação a Pablo Marçal, que declarou gostar do escritor, Cury alegou que, “apesar da amizade”, nunca pensou em chamá-lo para compor o eventual governo. Anistia O candidato do Avante falou que quer formar uma comissão de juristas nacionais e internacionais para revisar processos ligados à trama golpista e ao 8 de janeiro. — Vou convidar um grupo de juristas notáveis do Brasil e de fora para ver se teve vício nos processos, se teve ou não tentativa de golpe e se houve penas desproporcionais. (Mas) Não me coloque no centro dessa guerra política, senão vamos de novo alimentar essa polarização esquizofrênica — afirmou ele, que, após insistência, deu sua opinião pessoal sobre o caso. — Na minha opinião, houve várias condenações desproporcionais, inclusive a da “Débora do Batom”. Segurança Na área de segurança, prometeu integrar as forças policiais do país e criar uma nova corporação focada em trabalho preventivo, chamada “Foco”, que contaria com 5% da força de trabalho dos municípios brasileiros. A ideia é ter 400 mil profissionais. — Pior do que o crime organizado é o Estado desorganizado. Precisamos encorpar, treinar e valorizar a Polícia Federal — disse ainda o presidenciável. — Temos que integrar todas as polícias. Ter reconhecimento facial, material genético, um sistema de informações para que todas as polícias possam estar de fato integradas e dar respostas muito mais rápidas. Ele se mostrou favorável à PEC da Segurança, medida do governo Lula que está prestes a ser votada no Senado. Também disse que é contra armar a população e simpático às câmeras nas fardas policiais. — Se você tem um país responsável, integrado, inteligente, não vai precisar disponibilizar armas para a população. Claro que em situações de maior vulnerabilidade, como na área agrícola, pode ser diferente — apontou. — Sou a favor das câmeras. Porque se 2% cometem crime eles têm que ir à Justiça. Mas 98% dos policiais são honestos e colocam a vida em risco. A câmera funciona até para protegê-los. Redes e big techs A despeito de ser contra regular as redes sociais, defendeu a taxação das big techs e chegou a se direcionar a Mark Zuckerberg, da Meta, e dizer que o mandaria para tribunais internacionais por causa do efeito das redes nas crianças. Segundo Cury, a ascensão dos smartphones levou a uma mudança no cérebro humano, “no ciclo da dopamina”. — Gera dependência em jovens, irritabilidade, ansiedade — elencou. — Faço pedido aos pais: o ideal nos fins de semana é fazer jejum digital. Milhões de jovens são órfãos de pais e ficam nos celulares, é um problema de saúde pública. Se soubesse a dor que tenho de ver um adolescente se automutilando... A síndrome comparativa nas redes sociais é cruel. Apesar disso, o presidenciável disse que é contra regular as redes por causa da liberdade de expressão. Defende, contudo, uma taxação “pesada” das big techs, no mesmo nível que há com cigarros. Economia Assim como a maioria dos candidatos, Cury reforçou a necessidade de um ajuste fiscal, mas de forma genérica. Disse que é preciso fazer uma auditoria para saber onde pode haver cortes, repetiu que pretende taxar mais as big techs e bets e refutou a ideia de aumentar a arrecadação. — Arrecadação, não. Pelo amor de Deus. Já arrecadamos demais. Ele também citou medidas “simbólicas” que têm peso pequeno no orçamento, como a economia com cartão corporativo e com energia nos palácios.