Na tentativa de reforçar seu discurso de experiência administrativa, presidenciável já citou Arminio e Gakiya e sonda outros nomes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD — Foto: Cristiano Mariz/20-5-2026 O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, tem sondado nomes de prestígio para anunciar ao longo da campanha o que seria o seu eventual ministério. Ele admitiu ontem que é uma forma de conferir peso ao seu projeto político, que ainda patina nas pesquisas, reforçando seu discurso de experiência administrativa. O ex-governador de Goiás já citou ao menos três nomes que gostaria de ter em sua equipe se chegar ao Planalto, mas sem combinar previamente com os envolvidos. O movimento mais recente dessa estratégia foi o anúncio, na segunda-feira, de que pretende criar um Ministério da Segurança Pública e convidar para chefiá-lo o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que se destaca como investigador do PCC. Caiado observou que não havia conversado com o promotor, que não tem histórico de participação em campanhas políticas e se recusou a comentar no primeiro momento. Depois, o ex-governador procurou Gakiya. — Ele me ligou logo depois, pediu desculpas por não ter ligado antes, mas reforçou o convite — contou o promotor ao GLOBO. — Agradeci, disse que estava honrado e feliz pela lembrança, mas que neste momento não posso aceitar. Ainda que tivesse interesse, teria que pedir exoneração do MP, com 35 anos de serviço, e perder meu direito à aposentadoria. Só completo meu tempo e idade em dezembro de 2026. Na ativa, não posso ter atividade político-partidária. O mandato do presidente a ser eleito em outubro começará em janeiro de 2027. Por isso, Caiado argumenta que a posição de Gakiya não é exatamente uma “recusa”. Mas os dois divergem em alguns pontos, como a classificação de facções criminosas, como PCC e CV, como grupos terroristas. Caiado propõe uma “Lei do Terrorismo Doméstico” para aumentar as penas de envolvidos com o crime organizado e a atuação federal nos estados. Já Gakiya avaliou que a decisão recente dos EUA nesse sentido pode não ter eficácia. Arminio como consultor Anteontem, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, candidato a vice de Caiado, fez outras três indicações para um eventual governo do partido: Arminio Fraga, ex-diretor do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso, para a Fazenda; o diplomata Roberto Azevêdo, ex-diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), para o Itamaraty; e Guilherme Afif Domingos, ex-vice-governador de São Paulo e atual secretário estadual de Projetos Estratégicos, para o Empreendedorismo, que ocupou na gestão de Dilma Rousseff (PT). PSD apresenta Ronaldo Caiado como candidato a presidente da República em convenção em SP — Foto: Divulgação/PSD Afif e Azevêdo já estão próximos da campanha do PSD. O primeiro é filiado ao partido, e o segundo foi anunciado como coordenador da área de relações exteriores no plano de governo de Caiado. Não há vínculo formal com Arminio, mas o economista apoiou a pré-candidatura do governador gaúcho Eduardo Leite, correligionário vencido por Caiado na disputa pela cabeça da chapa do PSD. O goiano tem mencionado Arminio como a pessoa que tem “consultado com mais frequência” a respeito da situação econômica do país, principalmente sobre as contas públicas, o endividamento das famílias e o nível atual da taxa básica de juros, que ele classifica como “agiotagem”. — Até o momento, ele não respondeu se assumiria (a Fazenda), mas me deu total liberdade para que eu formulasse todas as demandas e que esclarecesse todas as dúvidas, ele disse que estava sempre à minha disposição — afirmou Caiado ontem, ao participar de um fórum liberal, em São Paulo, que também recebeu os rivais Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), além de Daniella Marques, que aconselha Flávio Bolsonaro (PL). Procurado pelo GLOBO, Arminio evitou responder sobre tratativas relacionadas a um eventual governo de Caiado: — Fico contente que gostaram das minhas ideias. O quadro geral é preocupante. Assim como Gakiya, o economista não tem atividade partidária explícita, mas tem um histórico de proximidade com o PSDB. Em 2014, assessorou o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) na disputa frustrada contra a reeleição de Dilma Rousseff (PT). O mineiro declarou num debate na TV que Arminio seria seu escolhido para a Fazenda. Em 2022, ele apoiou Simone Tebet (MDB) no primeiro turno e declarou voto em Lula no segundo, embora seja crítico da política econômica do petista. Caiado promete fazer outros anúncios “aos poucos” e diz se tratar de uma forma de informar os eleitores sobre seus planos para o governo: — Tenho a liberdade de dizer quais são as pessoas que são referência para mim naquelas áreas. Então, qual o problema? Caiado voltou ontem a atacar o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, de quem tenta tirar eleitores de direita. Ele fez menção às inconsistências identificadas em versões oficiais do currículo do senador, dizendo que se resumiria à certidão de nascimento, referindo-se à condição de filho do ex-presidente Jair Bolsonaro: — Ninguém aprende a governar sentado na cadeira de presidente da República. Os auxiliares dos sonhos de Caiado Arminio Fraga O economista Arminio Fraga — Foto: Leo Martins Crítico da política fiscal de Lula, apesar de tê-lo apoiado no 2º turno de 2022, o ex-presidente do BC é citado por Caiado com frequência para frisar sua defesa de contenção do gasto público. O economista apoiou a pré-candidatura de Eduardo Leite, preterido pelo PSD. Roberto Azevêdo Ex-diretor da OMC Roberto Azevêdo diz que agenda ambiental é caminho sem volta — Foto: Aílton de Freitas/Agência O Globo O diplomata brasileiro, que foi diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e hoje atua na iniciativa privada, já colabora com a equipe de Caiado e foi anunciado por ele como responsável pela elaboração dos trechos sobre diplomacia e comércio exterior de seu programa. Lincoln Gakiya O promotor Lincoln Gakiya — Foto: Roberto Navarro / Agência O Globo Na segunda, Caiado chamou a atenção para uma apresentação de suas propostas para a segurança pública ao prometer criar uma pasta específica e convidar para liderá-la o promotor Lincoln Gakiya, principal investigador da estrutura do PCC, mas admitiu não ter conversado com ele.