Decano debate proposta com presidente da Corte; medida atingiria gabinetes de Moraes, Mendonça e Fux 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os ministros do STF Gilmar Mendes e Edson Fachin — Foto: Jorge William O ministro Gilmar Mendes defendeu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a retirada de delegados da Polícia Federal que atualmente trabalham nos gabinetes de integrantes da Corte. A proposta está sendo discutida em meio à crise interna provocada pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e pela escalada da tensão entre o ministro André Mendonça e integrantes da cúpula da PF. A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO. Gilmar e Fachin conversaram nesta quinta-feira sobre a crise que se instalou no tribunal após a Polícia Federal identificar Alexandre de Moraes como interlocutor do banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens apreendidas durante as investigações. O decano já vinha discutindo a presença de delegados nos gabinetes antes do episódio, mas a controvérsia ganhou novo peso diante dos questionamentos sobre a atuação de policiais que auxiliam diretamente Mendonça nas investigações sob sua relatoria. A avaliação de Gilmar é que a presença de integrantes da PF nos gabinetes pode criar uma relação inadequada entre investigadores e ministros responsáveis pela condução dos inquéritos. Nos bastidores, um dos questionamentos levantados durante a atual crise é sobre o grau de influência que policiais cedidos podem exercer sobre a condução das apurações. Em meio a crise no STF, Ministros do Supremo são flagrados rindo, reunidos, após sessão plenária 1 de 6 Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin (costas) reunidos, após sessão plenária, rindo — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo 2 de 6 Luiz Fux, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, reunidos, após sessão plenária do Supremo Tribunal Federal — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Flávio Dino, Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin deixando uma sessão plenária do Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo 4 de 6 Após sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Cristiano Zanin são flagrados rindo — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo X de 6 Publicidade 5 de 6 Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Cristiano Zanin são flagrados reunidos rindo após sessão plenária — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo 6 de 6 Após sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Cristiano Zanin são flagrados rindo — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo X de 6 Publicidade Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luiz Fux aparecem nas fotos Atualmente, quatro delegados da Polícia Federal estão cedidos ao Supremo, de acordo com o Portal da Transparência do STF. Dois trabalham em gabinete de Mendonça (Graziela Machado e Thiago Marcantonio), um de Alexandre Moraes (Fábio Shor) e um atua na área de segurança da Corte (Raphael de Mello Batista). Os delegados cedidos pela Polícia Federal aos gabinetes atuam como assessores dos ministros, prestando apoio técnico sobretudo na análise de investigações criminais sob a relatoria dos magistrados. Embora não sejam responsáveis por presidir os inquéritos conduzidos pela corporação, auxiliam os gabinetes na análise de relatórios, diligências e outros elementos produzidos nas apurações. Segundo o STF, os profissionais que trabalham nos gabinetes exercem atividades de assessoramento de acordo com as atribuições dos cargos que ocupam e as demandas de cada ministro. No caso dos servidores oriundos da Polícia Federal, a Corte afirma que a experiência e o conhecimento técnico desses profissionais podem contribuir em temas relacionados às suas áreas de especialização. O tribunal ressalta, porém, que esse trabalho não significa que os delegados continuem exercendo dentro dos gabinetes as funções próprias da corporação. “A atuação nos gabinetes não se confunde, por si só, com o exercício das atribuições próprias da Polícia Federal, como a condução de investigações ou a prática de atos de polícia judiciária”, afirmou o STF em nota ao GLOBO. A eventual adoção da medida, portanto, não atingiria apenas Mendonça, que está no centro do atual embate com a Polícia Federal. Também alcançaria o gabinete do próprio Moraes, pivô da crise desencadeada pelas mensagens de Vorcaro. O tema já havia provocado tensão entre o STF, a Polícia Federal e o governo nos últimos meses. Em junho, o Ministério da Justiça enviou ofícios a mais de 50 órgãos públicos solicitando a devolução de policiais federais cedidos para reforçar o efetivo da corporação no combate ao crime organizado. O Supremo, porém, ficou fora da lista. À época, a justificativa apresentada por integrantes do governo foi evitar prejuízos a investigações em andamento. A possibilidade de retirada dos delegados já havia causado preocupação especialmente no gabinete de Mendonça. Thiago Marcantonio atua como assessor do ministro desde 2025 e auxilia o magistrado em processos relacionados tanto às fraudes no Banco Master quanto às investigações sobre desvios no INSS. A movimentação do governo para recuperar policiais cedidos chegou a ser interpretada por integrantes da PF e do STF como uma tentativa de atingir a estrutura montada pelo relator para conduzir essas apurações. A discussão ressurge agora em um contexto mais delicado. Mendonça e a cúpula da Polícia Federal vêm acumulando divergências sobre a condução das investigações, que se aprofundaram depois que o ministro determinou à corporação que identificasse interlocutores de Vorcaro mencionados no material apreendido.