Esvaziamento já vinha ocorrendo desde que DTVMs apareceram nas investigações da Operação Carbono Oculto e que ex-sócio de Vorcaro no Master foi alvo na Compliance Zero 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os principais veículos de investimento da Trustee DTVM e da Banvox DTVM, alvo de investigações durante o caso Master, foram esvaziados no último ano. As duas casas, pertencentes a Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, foram investigadas na operação Carbono Oculto, em agosto do ano passado. Quadrado foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Compliance Zero. Desde então, o patrimônio combinado dos fundos administrados pelas duas, que somava R$ 86,7 bilhões em julho de 2025, encolheu 65%. A Trustee, que prestava serviços para fundos que acomodavam participações do empresário Nelson Tanure, tinha R$ 66,9 bilhões, cifra que caiu a R$ 23,2 bilhões ao fim de julho de 2026. A Banvox, por sua vez, reunia R$ 19,8 bilhões, em comparação aos R$ 7,5 bilhões atuais. Os dados são da Anbima, que representa entidades dos mercados financeiros e de capitais. A Planner Corretora assumiu alguns dos maiores veículos, sob gestão da Redwood, que pertence ao mesmo grupo de controle, a B100: o Bordeaux FIP Multiestratégia, com R$ 2,5 bilhões em patrimônio líquido, detentor do controle da Ligga Telecom (ex-Copel Telecom) e o Ilha de Patmos FIM, com um patrimônio de R$ 2 bilhões. A Redwood disse em nota que não possui relação comercial com a Trustee ou a Banvox. “A troca de prestadores de serviço é um movimento natural de mercado, decorrente de deliberações soberanas dos cotistas. Todo fundo assumido pela Redwood passa por rigoroso processo de due diligence e aprovação interna, alinhado à nossa política de governança”, escreveu a gestora em nota, não comentando fundos específicos, já que as informações são públicas na CVM. A LAD Capital assumiu meses atrás o Esna FIP Multiestratégia, com participação na Ambipar e no Phoenix FIP Multiestratégia, veículo que investe no Esna e que foi o fundo de Tanure utilizado na compra da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) no seu processo de privatização. Segundo Luiz Felipe Terra Favieri, sócio-diretor da LAD Capital, a instituição foi procurada por um dos cotistas, a Braslight, a fundação de previdência dos funcionários da Light, pela expertise na recuperação de ativos estressados. “A gente terminou o diagnóstico, estamos fazendo revalorização de toda a carteira do fundo e todo o valuation das investidas”, explica. A alocação no do FIP Phoenix representava 6,5% do total de investimentos da Braslight, conforme relatou o Pipeline, site de negócios do Valor, em outubro de 2025. Segundo fonte próxima a Tanure, desde o fim de 2024 ele vinha transferindo ou resgatando os recursos que estavam debaixo da Trustee para outras gestoras e administradoras com as quais sempre trabalhou. Restaram apenas alguns fundos de prateleira lá, sem ativos. Tanure era um cliente de referência do Master, aplicou o caixa de suas investidas na instituição e fez coinvestimentos com Vorcaro. O colapso do banco desencadeou uma série de prejuízos. Parcela relevante dos recursos estava em ações da Ambipar, numa posição que era avaliada em R$ 1,5 bilhão, e que se transformou em R$ 100 milhões com a crise que recaiu sobre a companhia em paralelo. Ele acabou perdendo as ações da Emae, executadas pela XP, e compradas pela Sabesp. Abriu uma disputa judicial sobre o tema. O fundo de ações Kyra, que tem quase R$ 900 milhões, por sua vez, aparece na base de fundos da Blue Solutions Asset Management. A carteira também tem papéis da Ambipar. Um dos maiores fundos da Banvox era o FIDC Voiter Consignado II, com R$ 581,3 milhões. Voiter é o antigo nome do Banco Pleno, que fazia parte do conglomerado do Master e também foi liquidado pelo BC. A Banvox já foi alvo de três processos administrativos sancionadores na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No primeiro, instaurado em 2018, a DTVM, que se chamava CM Capital Markets à época, foi investigada por “falta de lealdade para com os interesses de cotistas de fundos sob sua administração”. No segundo, em 2019, foi por irregularidades na emissão e distribuição de debêntures e de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), assim como no último processo, em 2020. Já a Trustee foi alvo de quatro processos administrativos sancionadores pela CVM, todos eles relacionados a irregularidades na emissão e distribuição de debêntures, sendo um processo instaurado em 2017, dois em 2018 e um em 2019. O regime de liquidação de Trustee e Banvox não se compara, contudo, ao que houve com o conglomerado Master, que era um banco múltiplo, tomava dívida e fazia distribuição de certificados de depósitos bancários para o público de varejo via plataformas, pondera Favieri, da LAD. “São empresas que prestam serviços financeiros ao próprio mercado, o impacto é um pouco menor para a pessoa física”, afirma o executivo. Como a personalidade jurídica dos fundos não se confunde com a dos prestadores de serviços, a transferência das carteiras para outras instituições é, em tese, relativamente simples, diz Favieri. Os cotistas são os donos dos ativos e podem escolher outro administrador por meio de assembleia a qualquer tempo. No regime especial, até que o liquidante tome pé da situação, pode haver alguma morosidade. (Colaborou Beth Koike) — Foto: Gerd Altmann/Pixabay
Fundos debaixo da Trustee e da Banvox, liquidadas pelo BC, encolhem 65% em um ano
Esvaziamento já vinha ocorrendo desde que DTVMs apareceram nas investigações da Operação Carbono Oculto e que ex-sócio de Vorcaro no Master foi alvo na Compliance Zero









