Autoridade monetária afirma que medida que atinge Trustee e Banvox foi adotada após 'graves violações' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Edifício sede do Banco Central em Brasília — Foto: Cristiano Mariz/Agência Globo O Banco Central determinou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, que gerenciava fundos ligados ao escândalo do Banco Master, e da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, também vinculada aos esquemas relativos ao banco de Daniel Vorcaro. As liquidações não afetam o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). As empresas eram do mesmo grupo e a Trustee era a líder do conglomerado. Ambas eram controladas por Maurício Quadrado, que participou da sociedade do Master ao lado de Daniel Vorcaro. Segundo o BC, a liquidação da Trustee foi motivada por ”graves violações“ às regras que disciplinam a atividade. No caso da Banvox, o regulador explica que a decisão foi tomada considerando o vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício do poder de controle e pela existência de administração comum, com a Trustee. "A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada pela existência de graves violações às normas legais que disciplinam as atividades das instituições", afirmou o Banco Central em comunicado. As duas gestoras têm fundos ligados aos esquemas do Master para inflar artificialmente o patrimônio do banco e também às investigações da operação Carbono Oculto, que apuram os braços financeiros do PCC. As "graves violações" das regras que regem a atividade financeira, no entanto, seriam mais antigas do que o caso Master e envolveriam operações que não passavam nos controles de prevenção à lavagem de dinheiro de outras gestoras e bancos. A Trustee é apontada ainda pela Polícia Federal como veículo que ligava Vorcaro ao empresário Nelson Tanure, que seria beneficiário final de fundos da gestora. O BC afirmou que as duas gestoras hoje têm baixa atuação no mercado e representam, em conjunto, menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional e 0,76% do volume de administração de recursos de terceiros. A autoridade monetária disse ainda que o resultado dessas apurações poderá resultar na aplicação de sanções de "caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes". Os bens dos controladores e ex-administradores das gestoras ficam indisponíveis a partir da liquidação. No caso da Trustee, além de Quadrado, foram afetados pelo bloqueio a Trustee holding, dois fundos em participações multiestratégia, o Jaguar e o Topázio, e o Kyoto fundo de investimento multimercado crédito privado. Entre os ex-administradores afetados, estão Ângelo Pinheiro de Castro, Artur Martins de Figueiredo, Estevam Borali, Flávio Daniel Aguetoni, Luis Fernando de Almeida e Rogério Penteado Felgueiras. Já em relação à Banvox, foram bloqueados os bens de Banvox holding e Quadrado, como controladores, e dos mesmos ex-administradores da Trustee, à exceção de Artur Figueiredo. A liquidante apontada pelo BC para as duas instituições é Marilena Simoes Valentim. Em nota, a Trustee e a Banvox afirmaram que não há nenhuma irregularidade na estrutura de suas operações ou violações às normas do mercado de capitais e que a decisão do BC foi recebida com surpresa. "As empresas jamais foram notificadas pelo Banco Central para qualquer enquadramento nesse sentido. Trustee e Banvox vinham prestando todos os esclarecimentos demandados pela autoridade monetária nos últimos meses e sanando todas as dúvidas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. A decisão do Banco Central foi recebida com surpresa pelas empresas, que, inclusive, não tiveram nenhum de seus executivos incluídos na denúncia do Ministerio Público na operação Carbono Oculto, apresentada na mesma data do anúncio de liquidação pelo BC. Já a assessoria de Nelson Tanure disse, em nota, que o empresário jamais estabeleceu qualquer relação de natureza societária com o Banco Master e com as demais instituições citadas na matéria - Trustee e Banvox. Segundo a assessoria, Tanure foi cliente das gestoras "nas mesmas condições em que segue sendo atendido por outros bancos e gestoras no mercado".