Quadrado fez carreira na Planner, também investigada na Compliance Zero, onde foi sócio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Trustee e a Banvox, distribuidoras de títulos e valores mobiliários (DTVMs) liquidadas extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) na manhã desta quinta-feira (3), pertencem, entre outros, a Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master. Quadrado foi alvo de busca e apreensão da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em janeiro deste ano, que investiga supostas fraudes envolvendo o banco de Daniel Vorcaro. Quadrado fez carreira na Planner, onde foi sócio. Quando saiu da sociedade, em 2020, levou a parte de custódia e abriu Trustee DTVM. A Planner também entrou na mira da Compliance Zero, na oitava fase, deflagrada em maio, que investigou investimentos do Rioprevidência no Master. A Planner intermediou os aportes do fundo de previdência de servidores estaduais do Rio no banco de Daniel Vorcaro. Do Banco Master, Quadrado saiu em 2024, quando vendeu sua fatia, que era entre 20% e 30%, como mostrou o Valor à época. Com a saída do Master, ele ficou com o Letsbank e algumas outras unidades, criando um novo grupo, batizado de BlueBank. Em janeiro de 2025, Quadrado anunciou a intenção de compra do Digimais (antigo Banco Renner), que pertence a Edir Macedo, chefe da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record. Porém, desistiu do negócio três meses depois. As DTVMs liquidadas hoje pelo BC já foram alvo da PF em agosto do ano passado, na Operação Carbono Oculto, resultado de um trabalho conjunto do Ministério Público, polícias, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Receita Federal e fiscos estaduais, entre outros, que atacou uma cadeia criminosa de fraudes e sonegação que envolvia postos, distribuidoras e usinas de etanol e importação de combustível. Na Carbono Oculto, tanto a Trustee quanto a Banvox foram alvo de busca e apreensão e de quebra de sigilo fiscal e bancário, investigadas como administradoras e gestoras de fundos de investimento usados pela organização criminosa para aquisição e ocultação de bens. Quadrado não foi alvo dessa operação. Em seu site, a Banvox diz que administra 92 fundos, com um patrimônio total de R$ 8,575 bilhões. Já a Trustee lista em seu site quase 320 fundos. No ranking da Anbima, Banvox aparece com R$ 7,448 bilhões e Trustee, com R$ 23,225 bilhões. Um dos maiores fundos da Banvox é o FIDC Voiter Consignado II, com R$ 581,3 milhões. Voiter é o antigo nome do Banco Pleno, que fazia parte do conglomerado do Master e também foi liquidado pelo BC. Já a Trustee administrava fundos envolvidos em várias investigações sobre o Master, como o Kyra e o Naples. Banvox já foi alvo de três processos administrativos sancionadores na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No primeiro, instaurado em 2018, a DTVM, que se chamava CM Capital Markets à época, foi investigada por “falta de lealdade para com os interesses de cotistas de fundos sob sua administração”. No segundo, instaurado em 2019, por irregularidades na emissão e distribuição de debêntures e de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), assim como no último processo, em 2020. Já a Trustee foi alvo de quatro processos administrativos sancionadores pela CVM, todos eles relacionados a irregularidades na emissão e distribuição de debêntures, sendo um processo instaurado em 2017, dois em 2018 e um em 2019. 'Surpresa' Em nota, Trustee e Banvox afirmam em nota que não há nenhuma irregularidade na estrutura de suas operações ou violações às normas do mercado de capitais. Elas alegam ainda que jamais foram notificadas pelo regulador para qualquer enquadramento nesse sentido. "Trustee e Banvox vinham prestando todos os esclarecimentos demandados pela autoridade monetária nos últimos meses e sanando todas as dúvidas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master", dizem. Segundo elas, a decisão do BC foi "recebida com surpresa pelas empresas, que, inclusive, não tiveram nenhum de seus executivos incluídos na denúncia do Ministério Público na operação Carbono Oculto." Apesar de negarem irregularidades, em sua decisão o BC diz que a decretação da liquidação extrajudicial "foi motivada pela existência de graves violações às normas legais que disciplinam as atividades das instituições." Maurício Quadrado não se pronunciou. Maurício Quadrado, dono da Trustee e Banvox, liquidadas pelo BC — Foto: Reprodução/LinkedIn
Liquidadas pelo BC, Trustee e Banvox foram alvo da Operação Carbono Oculto e dono entrou na mira da Compliance Zero
Quadrado fez carreira na Planner, também investigada na Compliance Zero, onde foi sócio








