A sabatina do candidato à Presidência Augusto Cury (Avante), na Globo, foi péssima. Parecia evidente que o escritor e psiquiatra não tinha domínio sobre os temas que balizam debates presidenciais: segurança, educação, saúde e economia.

No entanto, esse despreparo técnico parece não fazer diferença para uma parcela expressiva do eleitorado, com destaque para os evangélicos. Como explicar esse aparente paradoxo?

Na abertura de sua entrevista, Cury fez menção a Jesus Cristo, a quem define como "o homem mais inteligente da história". Embora referências a Deus sejam um lugar-comum para políticos em período eleitoral, o caso de Cury revela algo qualitativamente diferente. Sua carreira como escritor e palestrante foi pavimentada sobre as duas linguagens mais influentes da contemporaneidade: a da religião e a da autoajuda, sendo esta última envolta na aura da saúde mental.

É fato que Cury não possui fluência no jargão técnico da administração pública. Isto ficou demonstrado, de modo quase cômico, na sabatina no Jornal Nacional. Afinal, não será apenas a apresentadora Renata Vasconcellos que não vai esquecer o drone. No entanto, em um cenário de profundo desgaste das instituições políticas, a falta de traquejo no "politiquês" se converte em uma valiosa vantagem eleitoral.